Não sou romântico. Não penso em grandes revoluções que possam mudar o destino do mundo. Sei que este está fadado a um destino não muito agradável, e um dia terá seu fim. Entretanto, sei que muitas de suas mazelas são de responsabilidade daqueles que o habitam e poderiam ser revertidas se houvesse interesse. O que me incomoda não é a estagnação, mesmo porque tenho visto movimentos pelo globo. Busca-se a ordem, a paz. Busca-se a fuga do caos. Muitos já não suportam mais a forma como são conduzidos os assuntos de interesse global. Entendo que não há ordem nem paz sem que se estabeleça primeiramente o caos, e em muitos momentos de nossa história percebemos que quem tem a solução instala o problema, e disso tira vantagem. Mas ainda assim, quem pode se posicionar, luta.
O Brasil, porém, é um caso à parte na história do mundo. Fomos fundados há pouco mais de 500 anos sobre bases corruptas, exploradoras e estúpidas, e estuprados sem qualquer pudor ou ordem. Mandatários irresponsáveis e aproveitadores tiveram a batuta em suas mãos e nada fizeram a não ser sugar o que de bom havia, pois interesses individuais sempre prevaleceram sobre o bem da nação, para que o poder se concentrasse cada vez mais em quem mandava. Fomos subitamente silenciados e instaurou-se em nossa cultura a passividade e aceitação através da "burrice" imposta. Inocência pensarmos o contrário. Tiradentes que o diga, e princesa Isabel até hoje não sabe que carta foi aquele que ela assinou. Cezar ficaria com inveja do pão e circo da terra do pau-brasil. Nem em Roma foi tão eficaz.
Devido a tantos anos de repressão e de uma ditadura eterna - subjetiva ou declarada, exposta ou não no nome da política de governo - fomos levados a um estado de marasmo e acomodação. Não sabemos pelo que nem como nos posicionarmos. Não sabemos nem em quem votamos, nem o que fazem para honrar a nossa representação. Tiririca é deputado federal e até hoje ainda não descobriu qual é sua função - não se preocupe, Tiririca, a maioria não sabe. Somos extorquidos por impostos estratosféricos e corrupção impunível. Nosso dinheiro é despejado com abundância, pedantismo, soberba, orgulho e sem medida na organização de um evento e na construção de grandes arenas - mais de 4 bilhões de reais -, mas para a administração de um hospital universitário está em falta.
Entretanto, tenho observado um ensaio de movimentação, de revolução, de exteriorização de uma voz latente em nossas mentes dizendo: "Não aguento mais! Do jeito que está não pode ficar! Alguma coisa tem de ser feita!". Tenho observado o despertar de uma juventude que não se conforma, dentre outras coisas, com o preço absurdo de uma passagem para viajar em condições precárias, desumanas. Uma juventude que não entende o porquê da privatização dos hospitais se há tanto dinheiro nos cofres públicos. Uma juventude que se preocupa também com a PEC 37, senhor Arnaldo Jabor. Uma juventude majoritariamente de classe média sim, como o senhor mesmo disse, mas que carrega o país nas costas através de seu trabalho pesado, para que grandes magnatas usufruam os bens e as regalias desse país, enquanto nós nos esforçamos e encaramos de frente as mazelas desse país. Uma juventude que não mendiga 20 centavos, mas que não suporta mais o estupro de um governo que não premia nem retribui o trabalho e a dedicação, e de empresas que não pensam em nada além do lucro para alimentarem suas próprias redes de corrupção.
Portanto, vejo com esperança o despertar de algo que pode, sem romantismo, mudar alguma coisa enquanto o mundo existe, mesmo que a mídia tente abafar enquanto pode, mesmo que a Globo continue sendo testa de ferro de um governo "prostituto", medíocre, incompetente, sem identidade, sem ideologia e sem caráter. Mesmo que a "teletela" persista em tentar nos dizer o que devemos fazer, vejo que um novo Brasil pode começar a se erguer, e através disso tenho esperanças de dar aos meus descendentes algo melhor do que o que vivo. Algo melhor do que Renan Calheiros na presidência do Senado, Paulo Maluf e José Genuíno na Comissão de CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA. Vejo um ponto de partida. Aonde nos levará só o tempo poderá dizer.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
UM SOL NA MINHA VIDA
"O raiar do sol é o recomeço". Esse é um trecho de uma música da banda Crombie, de que gosto muito. Há muito que não escuto algo que eu acredite tanto. Nada é tão certo quanto o raiar do sol, assim como, paradoxalmente, nada é tão incerto quanto um recomeço. Porém, precisamos desses dois elementos nas nossas vidas. Precisamos do sol pois é um aliado, um delimitador, um marcador, um apontador. Precisamos do recomeço, pois também é um delimitador, é o ponto onde as coisas se divergem, onde os sentidos são revistos e, possivelmente, invertidos, onde descobrimos o inexplorado, e nos descobrimos no processo. Precisamos de quantos recomeços se façam necessários, pois recomeçar é reavaliar, analisar e mudar.
Mudanças, entretanto, são um tanto renegadas. Queremos o nosso espaço, o nosso nicho pré-estabelecido, o conveniente, o garantido - mesmo que não seja o melhor -, o previsto, o previsível. Mas quando as mudanças são inevitáveis, nos apegamos ao que nos mantém de pé, e mesmo que não saibamos aonde ir, sabemos que um dia chegaremos lá. Olhamos para o nosso sol. Vislumbramos o horizonte e somos convencidos do poder revigorante de um novo dia, do sol clareador e aquecedor. Tomamos fôlego, respiramos fundo e nos empoderamos de uma coragem antes desconhecida, pois não sabíamos que existia algo além do nosso medo.
Todos os dias recomeços se apresentam, e temos a oportunidade de aceitá-los ou não. Temos uma escolha. Recomeços são desafiadores. Podemos permitir que o sol nasça ou que o dia continue escuro. Há três anos e meio, dentre tantos que se apresentaram em minha vida, vivi o recomeço mais importante. Há três anos e meio pude vislumbrar o horizonte, e a vista é maravilhosa. Nada foi tão incerto quanto aquele recomeço, mas nada me faz tão feliz, tão aquecido, tão completo quanto aquele sol que ali surgia. Hoje recomeço quantas vezes forem necessárias, e tenho certeza que outros sóis surgirão em outros aspectos da minha vida, mas este sol estará ali, nunca se apagará, será sempre meu aliado, meu conforto, me aquecerá, não sairá do lugar, pois está onde nasceu para estar. Este é o seu lugar, e eu estarei sempre aqui para recebê-lo.
Tive momentos de angústia e de tristeza, mas este sol me trouxe um recomeço que espero durar a eternidade e me fez descobrir que talvez o horizonte nem seja o fim. Descobri que há sempre mais esperando por mim, que um fim nada mais é do que um ponto de partida, e que sem o fim o sol não pode existir, sem a escuridão a luz não faz diferença, e que não importa o que aconteça, o sol vai sempre nascer, basta o abraçarmos. Descobri que nada importa tanto quanto ter um dia claro. Eu amo o meu sol!
Texto em homenagem à Marcela Raposo, um sol na minha vida, o meu grande amor, por quem me apaixono todos os dias. Há três anos e meio, completados hoje, ela me faz o homem mais feliz! Eu te amo!
Mudanças, entretanto, são um tanto renegadas. Queremos o nosso espaço, o nosso nicho pré-estabelecido, o conveniente, o garantido - mesmo que não seja o melhor -, o previsto, o previsível. Mas quando as mudanças são inevitáveis, nos apegamos ao que nos mantém de pé, e mesmo que não saibamos aonde ir, sabemos que um dia chegaremos lá. Olhamos para o nosso sol. Vislumbramos o horizonte e somos convencidos do poder revigorante de um novo dia, do sol clareador e aquecedor. Tomamos fôlego, respiramos fundo e nos empoderamos de uma coragem antes desconhecida, pois não sabíamos que existia algo além do nosso medo.
Todos os dias recomeços se apresentam, e temos a oportunidade de aceitá-los ou não. Temos uma escolha. Recomeços são desafiadores. Podemos permitir que o sol nasça ou que o dia continue escuro. Há três anos e meio, dentre tantos que se apresentaram em minha vida, vivi o recomeço mais importante. Há três anos e meio pude vislumbrar o horizonte, e a vista é maravilhosa. Nada foi tão incerto quanto aquele recomeço, mas nada me faz tão feliz, tão aquecido, tão completo quanto aquele sol que ali surgia. Hoje recomeço quantas vezes forem necessárias, e tenho certeza que outros sóis surgirão em outros aspectos da minha vida, mas este sol estará ali, nunca se apagará, será sempre meu aliado, meu conforto, me aquecerá, não sairá do lugar, pois está onde nasceu para estar. Este é o seu lugar, e eu estarei sempre aqui para recebê-lo.
Tive momentos de angústia e de tristeza, mas este sol me trouxe um recomeço que espero durar a eternidade e me fez descobrir que talvez o horizonte nem seja o fim. Descobri que há sempre mais esperando por mim, que um fim nada mais é do que um ponto de partida, e que sem o fim o sol não pode existir, sem a escuridão a luz não faz diferença, e que não importa o que aconteça, o sol vai sempre nascer, basta o abraçarmos. Descobri que nada importa tanto quanto ter um dia claro. Eu amo o meu sol!
Texto em homenagem à Marcela Raposo, um sol na minha vida, o meu grande amor, por quem me apaixono todos os dias. Há três anos e meio, completados hoje, ela me faz o homem mais feliz! Eu te amo!
terça-feira, 13 de setembro de 2011
MEDOS E RENASCIMENTOS - UM BREVE RELATO
A vida é feita de escolhas. Dúvidas? Sim, muitas. Quando em um determinado momento de nossas vidas totalmente comuns escolhemos um caminho, devemos ter a convicção de que algo é renegado. Assim minha vida foi conduzida no último ano. O cansaço, as novas atribuições, a falta de tempo me levaram a renegar uma paixão, um prazer que é incrivelmente desvalorizado por outros. O desânimo vem e a certeza de que somos capazes de fazer algo começa a se esvair. Aonde isso pode nos levar? Perguntamo-nos em nosso interior e aquilo que deveria ser relaxante torna-se fatigante. Então, certo dia, em uma espécie de epifania, lembramo-nos daquela sensação de liberdade a que estávamos acostumados e ressuscita em nossas mentes o estado de paz que nos invade quando fazemos o que gostamos independentemente da opinião - ou simplesmente da atenção - alheia. Assim pretendo me conduzir, e como a fênix, estou apto a reviver, com o aprendizado e a certeza de que nunca mais serei o mesmo. Pois isso me leva a viver melhor.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
SONHANDO ACORDADO
O que acontece quando Id, Ego e Superego se juntam e começam a brigar entre si? Um sonho! Os seus instintos mais primitivos, suas primeiras lembranças se revelam nele. A realidade é desconstruída, nada se parece com nada enquanto tudo se mistura com tudo, nossa imaginação em seu estado mais gracioso ou sombrio aflora. É durante essa eternidade repetitiva de quase dez minutos que suas intenções, seus desejos e medos mais profundos, secretos e inóspitos são visitados. O sonho é a relembrança de suas vontades.
Me ocorreu outro dia, pensando nisso, uma questão: por que quando queremos ou aspiramos algo chamamos de sonho? Passei o dia pensando nisso, em como me calar e voltar a pensar em algo mais palpável, material, mas não pude. A partir daquele momento passei a criar possíveis respostas, pensar em alternativas, a imaginar. Depois de algumas horas, percebi uma coisa. O tempo todo eu estava imaginando, pensando, projetando, construindo. Em nenhum momento paramos de fazer isso, mas durante o sono fazemos sem organização, sem o domínio absoluto do nosso Superego para nos coordenar, nos condenar. Quando dormimos, damos espaço para atuação dos outros seres da nossa mente, antes submersos.
Após ter concluído isso, pensei em outra coisa. Pensei que, talvez, para sermos um pouco mais felizes, deveríamos, mesmo acordados, dar terreno para nossos instintos e imaginação para um mundo melhor. Sermos nós mesmos com nossas convicções sobre... bem... tudo! Por vezes, chamarão o que nós acreditamos de utopia, e, por interesses pessoais, tentarão matar o que defendemos. Dirão que é ruim, que é maléfico, que não dá lucro. Tentarão ser o nosso Superego. A pressão vai sufocar até fazer ceder e mais uma vez o sonho morrerá. Eu sou o Id e o Ego. Eu levanto a bandeira da construção, a bandeira da igualdade, eu sou utópico em meus desejos porque eu acredito em pessoas, cada uma com seus sonhos, com sua história, mas que juntas, podem ser um só para o bem de todos.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
A CERTEZA DO INEXATO
"Se alguém souber dizer o que é o amor, esse alguém não sabe o que é amor". Pensando nessa frase, fui dormir. Dormi questionando como podemos ter tanta convicção de um sentimento que não temos a capacidade de precisar - pois desde a formação da Terra se fala sobre ele, discute-se sobre ele, formam-se definições dele, várias definições, escreve-se sobre ele, canta-se dele - ao mesmo tempo em que temos a certeza de que precisamos dele.
Posso, a partir daqui, ser clichê e piegas como as músicas de Roberto Carlos, ou tentar simplesmente refletir sobre essa sensação tão maravilhosa e arrebatadora. Amar alguém, não só no âmbito sexual, mas demonstrar carinho, respeito, compaixão para com o outro, é o que confere essa maravilha e esse arrebatamento.
Amar é o sentimento mais profundo que conhecemos, por isso após milênios ainda não nos aprofundamos o bastante. É algo tão incerto, metamórfico, que dizer palavras adolescentes numa música feita para venda e audiência em massa não é o suficiente. Amar é muito mais, e sempre mais. É saber que sempre existirá uma razão e sentido para a vida, mesmo quando o mundo estiver ao contrário. É ter certeza de que encontrará naqueles braços o calor necessário para o frio siberiano. É saber que mesmo quando faltam palavras, um gesto pode mudar o destino de um dia, uma semana, um mês, um ano. De uma vida. É ter a certeza do inexato, indefinido e inconcluso apenas porque você se sente seguro. Tudo por causa dequeles braços, daquele abraço. É uma tempestade num dia ensolarado enquanto calmaria num mar agitado.
Passaremos os próximos anos, até o fim do mundo, tentando defini-lo, pois não temos respostas científicas para ele, só conhecemos os seus efeitos, e, enquanto sentimento for, como sentimento o cultivaremos e continuaremos em busca da frase perfeita, do poema ideal, da música que faz chorar, mas ainda choraremos daqui a centenas de milhões de anos, porque, sendo inexato, de diferentes maneiras se apresenta e de diversos modos o conhecemos. Por isso ele é tão rico e, graças a Deus, por isso nunca saberemos o que o amor realmente é. O que importa é o que ele representa para cada um.
"Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência, não pensar..."
(O Meu Olhar - Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa)
O que o amor representa para você?
quarta-feira, 12 de maio de 2010
TRABALHO, PRESSÃO, CANSAÇO
Sento-me à frente do computador. Vontade de escrever não me falta, mas nada me surge na mente. Falar sobre o quê? Política? Clichê demais. Esporte? Banal demais. Comportamento? Incerto demais. Nada me parece bom o suficiente. Sinto-me preso a mim mesmo, preso às minhas idéias - ou à falta delas.
Minhas mãos, então, se levantam, vão ao teclado e voltam sem resposta, desoladas. Levantam-se mais uma vez, vão à cabeça, raspam suas unhas em meu couro cabeludo, voltam um pouco mais aliviadas. Ainda não surgiu nada. Voltam a se erguerem, juntas esfregam minha face, voltam ao teclado, continuam desesperadas, ansiosas por uma resposta, um sinal cerebral. Nada chega a elas. Elas se cansam, apóiam-se sobre as coxas, cansadas, exauridas. Refletem a pressão e a cobrança por produtividade, mesmo quando nada tem a se oferecer, devido à sobrecarga do trabalho imposto a elas todo dia e o dia todo, à obrigatoriedade de se pegarem as coisas. O ideal seria cortá-las, substituí-las, já que estão inúteis quando mais se precisa delas. O cérebro, mesmo sendo o responsável, não admite culpa. Ele é poderoso demais para ser acusado. Bem, talvez ela precise de cuidados, creme hidratante, talvez uma massagem... Não! Não é necessário! Elas ficarão ali, estáticas, apenas obedecendo ordens porque não têm aonde ir.
Minhas mãos têm vida própria. Vivem como milhares de brasileiros. Sistema inútil, cruel e fútil!
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
O VERDADEIRO ESPÍRITO NATALINO
O mundo, talvez em alusão metafórica aos seus constantes movimentos, permite-se aflorar a sua dinamicidade. Ele está em perpétua mudança, como se tivesse vida própria, assim como as relações sociais observadas no dia-a-dia. Pessoas debatem, discutem, dialogam, brigam, tentam durante todo o tempo impor suas opiniões e forçar em outrem a aceitação de suas ideologias. Porém, todo esse processo sofre uma pausa quando o tão aguardado Natal se aproxima. Ah! o Natal! Momento sublime de carinho, afeição e amor de um ser humano para com o outro. Momento de reflexão, de se ajudar criancinhas que passam fome e moram na rua. Momento de se celebrar um marco histórico: o nascimento de Jesus Cristo. Em tese.
Essa data tão especial chega acompanhada de uma característica muito marcante da humanidade: a falta de responsabilidade. O homem não se responsabiliza pela fome no mundo, ou pelo esgotamento de recursos naturais, ou pela violência desenfreada, ou pela desigualdade social. Nós temos a terrível e insalubre mania de não assumirmos culpa por nossos atos, pois agimos sem critérios ou escrúpulos quando o nosso interesse está em jogo e o nosso ego está à prova.
Foi exatamente isso que eu vi nesse Natal, pessoas comemorando de um jeito muito estranho o nascimento daquele que dividiria a história. Bêbados passeando pelas ruas, dirigindo. Homens e mulheres discutindo e se xingando mutuamente. Nem mesmo o tão comentado espírito natalino é capaz de superar o egoísmo humano. Aliás, supera até o momento em que alguma coisa foge do script, produzido de acordo com os interesses de cada um. Onde está o amor ensinado pelo aniversariante? Resume-se a um breve momento de reflexão - que dificilmente se concretiza em mudanças de posturas e atitudes - e troca de presentes que só servem para movimentar a máquina de poder e dinheiro chamada capitalismo. Não creio que seja essa a melhor maneira de se comemorar o aniversário do ser mais bondoso, amoroso e altruísta que já existiu.
Jesus sequer nasceu nesse período do ano, conforme apontam alguns relatos históricos. Segundo esses relatos, Ele teria nascido no período mais quente do ano em Belém, que seria de Julho a Setembro no nosso calendário. A atual data de comemoração (vinte e cinco de Dezembro) teria sido imposta pela Igreja com o objetivo de adaptação a uma festividade pagã existente nesse período do ano, visando uma lucratividade maior com a junção de duas culturas numa mesma celebração: o nascimento de Jesus com a existência do Papai Noel, a troca de presentes, etc.. Assim, praticantes de várias religiões poderiam gerar lucros ao mesmo tempo para o Estado, o que significava, à época, mais riqueza para a Igreja.
Infelizmente, a história desse planeta é feita, em boa parte, pela defesa de interesses em benefício dos poderosos. Ao invés de distribuírem-se alimentos num dia do ano, faça-se uma reforma estrutural da sociedade. Assim, os que são vítimas da fome no mundo - cerca de um bilhão de habitantes - deixariam de sofrer. Dados da ONU comprovam que uma fusão das economias dos países ricos e emergentes sanaria esse problema. Só o dinheiro gasto na guerra do Iraque já seria suficiente.
Enfim, o que eu vejo no Natal é uma oportunidade de redenção. Independentemente de datas ou fatos históricos, torço pela perpetuação de um sentimento mais humanitário, que dure o ano todo. Torço pela conscientização do seu verdadeiro sentido: o surgimento Daquele que veio para mudar o rumo do planeta e da vida de quem assim o quiser. Torço para que se siga o exemplo Dele de amor, sem a relevância de religiões, crenças ou opiniões. Torço por uma humanidade mais justa, menos desigual. Torço pela conservação da vida.
E você?
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
TEXTO RETIRADO DO DIÁRIO DA MINHA MENTE
Vinte e dois de Dezembro. Faz tempo que não produzo nada. O vestibular está sugando todo o meu tempo, a minha energia e o meu vigor - além de me arrancar um tanto de cabelo e me fazer perder outro tanto de unha. Mudanças vieram e agitaram o "pacato" mundo das provas de ingresso em universidades públicas. Nós, vestibulandos, tivemos aproximadamente de 5 a 7 meses para nos adaptarmos a uma fórmula totalmente nova de aplicação de provas. E, como se não bastasse, a desorganização mais uma vez imperou no governo brasileiro. Prova anulada, outras, por conta disso, adiadas, gabarito com erros, incerteza na divulgação de resultados. Milhões de estudantes sendo prejudicados por conta de medidas impensadas, descabidas e de interesse político devido às eleições que ocorrerão no ano vindouro. O cenário descrito é o vigente há muito tempo no Brasil: interesse, manipulação, ludibriação.
Mas não quero falar sobre política, quero falar sobre mim, sobre o que estou sentindo nesse momento tão decisório da minha vida. É a terceira vez que presto vestibular. Quero medicina. O fardo da dúvida da aprovação e da certeza de que não terei outra chance está me matando. Meus pais, que sempre se esforçaram em pagar bons colégios para mim, foram decepcionados duas vezes, e eu não gostaria de decepcioná-los novamente. Cerca-me durante todo o tempo a dor do arrependimento. Arrependo-me de não ter me esforçado mais antes, de deixar tudo para depois, de ser tão irresponsável algumas vezes, de não ter crescido antes.
Porém, mesmo sendo clichê, sei que tudo na vida tem um tempo certo de acontecer. O que me deixa preocupado é saber que, às vezes, deixamos o tempo certo passar devido à nossa falta de interesse, vontade e comprometimento. Mas não vai acontecer de novo. Um ano bom me espera, eu sei disso.
Enquanto espero faço o bom acontecer, busco viver em paz e deixar que o tempo me traga os sonhos. Mas é impossível não se preocupar.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
VIVER(:), SONHAR, SENTIR
Hoje é meu aniversário. Parabéns para mim. Lembro-me de que agora me resta um ano a menos. Lembro-me, também, de todos os momentos que se passaram, simplesmente. Lembro-me de todos os momentos em que tive medo. Medo das respostas, medo dos riscos, medo de mim mesmo, medo de que a vida se tornasse lúgubre demais antes das minhas realizações. Tinha medo de viver, mas viver na sua plenitude. O tempo é como uma lança que nos atravessa e leva consigo o fôlego renovador de vida que há em viver, mas ele pode se tornar a nossa passagem às estrelas quando não nos permitimos ao desperdício. Muitas lembranças felizes também rodeiam os meus pensamentos. Já fui às estrelas algumas vezes, mas o medo da solidão do espaço me fez voltar, pois nunca fui com quem eu queria estar.
Mesmo assim, não tenho o direito de reclamar da minha vida. Apesar dos arrependimentos, fui (e sou) cercado por amor, proveniente de uma família atenciosa e carinhosa, que tem suas dificuldades, passa por situações adversas, mas nunca deixa de acreditar que eu posso ter um futuro e uma vida melhor do que eles um dia imaginaram que teriam. Por isso agradeço a papai, por todas as vezes que ele colocou a língua para fora, assim entre os dentes, e ameaçou me dar uns tapas, mas nunca teve coragem para fazê-lo, pois me amava demais. Também a mamãe, pois nunca precisou colocar a língua para fora para me dar uma surra santa, ela fazia e ponto. Sem rodeios, sem remorso. As havaianas de casa não eram de pau, mas eram voadoras. Não adiantava eu correr pela casa, as havaianas vinham atrás de mim. Mamãe nunca deu ponto sem nó. Se hoje sou o homem que sou, sei discernir o certo e o errado, consigo pensar antes de agir (mesmo que fazer isso sempre seja impossível), devo isso à minha criação, às surras que mamãe me deu e às horas e horas que papai ficava falando e falando quando eu fazia algo errado (era pior que uma surra). Agradeço a Deus por colocar na minha vida uma família como essa.
Tenho também algumas saudades. Meus avós que partiram, meus amigos que já não tenho contato, minha cidade da infância. A saudade às vezes me faz querer desistir, mas sei que tudo tem uma razão para acontecer e um sentido em existir.
Devido a tudo isso, hoje eu me permito voar. Quero que os anos que virão sejam os melhores que eu já tive. Quero não só alcançar as estrelas, mas que elas sejam minha moradia. Quero viver com riscos e sem medos. Quero sonhar com o melhor, com ela nos meus braços. Quero experimentar os sentimentos da vida, e não só passar por ela. Quero a felicidade.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
DESTRUIÇÃO DO MUNDO DE SOFIA
"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia", já diria Shakespeare. Eu já digo que hoje há mais filosofia entre o céu e a terra do que supõem as nossas vãs coisas. O homem mune-se constantemente de aparelhos com tecnologia "hi-tech", "hi-definition", "hi-lander"; computadores, carros, "carros-computadores", "computadores-carros", e mesmo assim continua buscando um sentido lógico para o fim da vida e uma justificativa sensata para o início dela. Os filósofos, pensadores e cientistas até que tentaram, cada um à sua época, provar suas teorias sobre algo que está muito além do alcance da sabedoria humana, simplesmente. Definir-se como materialista ou imaterialista ainda é muito pouco defronte à imensidão de dúvidas e questionamentos da humanidade. O maquinário e o arsenal listados no nosso inventário só foram recursos para o nosso regresso - vide Hiroshima e Nagasaki. Descobertas científicas foram apenas comprovações da nossa ignorância quanto ao que há fora da nossa redoma de vidro, que, extraordinariamente, é feito de água, terra, fogo, ar e dióxido de carbono, muito dióxido de carbono. Estúpida ignorância!
Está formado assim o nosso ciclo vicioso. Somos ignorantes. Fato! Por isso buscamos o conhecimento. Por isso inventamos máquinas. Para isso acabamos com a água, a terra, o fogo, o ar e aumentamos, em proporções astronômicas, o tal dióxido de carbono. Por isso estamos fadados à morte. Devido a isso revela-se a nossa ignorância. Por isso buscamos o conhecimento...
Onde nós iremos parar? Pergunta clichê, não?! Porém, se é clichê é recorrente. Se é recorrente, ainda não tem resposta. O meu cilindro não é como o de Crisopo e a minha bola não é de cristal (nenhuma das duas). Uma coisa, porém, posso afirmar: enquanto nos preocuparmos em sermos fortes contruindo castelos em areia para, hipocritamente, sermos melhores do que os outros e tentarmos nos defender de nós mesmos atacando o mundo, a vida continuará sem sentido e sem entusiasmo de ser vivida. Enquanto nos importarmos apenas conosco e com as nossas "coisas", a afinidade ao conhecimento só nos encaminhará mais rápido à destruição.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
FELIZ CIDADE
Ultimamente, muitas indagações embaraçosas de ordem filosófica têm preenchido meus pensamentos. Ontem me ocorreu o seguinte: “o que é a felicidade?”. Pensamentos sem-vergonhas os meus! Como responder a isso? Recorri ao “pai dos inteligentes”, o Aurélio. Há três definições lá. Se nem o dicionário soube ter exatidão ao definir algo, quem sou eu para fazê-lo? Cheguei a uma conclusão simples, imaginável e até meio óbvia. A felicidade é indefinível e incomensurável até o momento em que a vivenciamos e cada um a vivencia de maneiras distintas, dependendo das suas realidades, ambições e expectativas.
Depois de formulada minha conclusão, comecei a refletir sobre a minha realidade, minhas ambições e minhas expectativas. Cheguei a uma outra conclusão: esses três aspectos são frutos do desfecho deles mesmos em épocas passadas. Comecei a lembrar-me então da minha infância. Naquele tempo, sim, era-se “feliz”. A minha realidade era uma eterna e infinda imaginação. Minha ambição era conseguir o máximo de bolas de gude que pudesse. Minha expectativa era que mamãe me deixasse uma hora a mais na minha brincadeira eternal. Hoje minha realidade é mais dura. Minhas ambições são mais árduas. Minhas expectativas parecem mais impossíveis.
Quando me deparo com a realidade em que vivo, lembro-me de uma das definições do Aurélio para felicidade: “bom êxito; êxito, sucesso”. Nesse momento eu me pergunto: “êxito em quê? E o que é sucesso?”. A vida é composta por tantas lutas e desafios - e temos tantos fracassos – que se torna difícil dizer que a felicidade é um estado permanente. Ela é apenas uma premiação sentimental intrapessoal. Um indivíduo se premia de alegria quando obtém êxito ou sucesso em suas investidas. Por isso, mais uma vez eu digo que era “feliz” na minha infância. Sempre quando eu era um pirata eu tinha êxito na minha missão. Quando eu era policial, nenhum bandido era páreo para mim. Quando eu era político, eu virava presidente muito rápido, acabava com toda a miséria e a pobreza, fazia reforma agrária, distribuía a renda e todos gostavam de mim. É perceptível que vivemos de um modo bem diferente de quando eu era uma criança se divertindo na cidade de Nova Iguaçu.
A política hoje é um pouco mais complicada do que uma brincadeira de criança. Conquanto ainda haja dinossauros no poder – e, para ele a política é uma brincadeira, pois faz os cidadãos de palhaços – fazer política é muito mais do que fazer dinheiro e construir imagem. Será que ele é feliz? Ora, está desde 1954 iserido na esfera política, já foi presidente e hoje é um senador presidente da câmara rico, com sua família muito bem empregada. Pode-se dizer que ele obteve êxito e que suas ambições e expectativas foram alcançadas, não importa a que custo. É exatamente esse o problema – não só dos políticos como de boa parte da população. Eu me pergunto se ele, bem como vários outros políticos, pode deitar-se à noite tranqüilo pelo dever cumprido daqueles que se dizem “pelo povo”. Questiono se realmente realizam o exercício pleno de sua função, que é trabalhar pelo bem-estar e interesse geral da população. O verdadeiro êxito e sucesso de um ser estão na satisfação do dever cumprido, do trabalho bem feito e não no crescimento pessoal da conta bancária e do prestígio social independente de quem se prejudique.
No Brasil, muita gente se prejudica por causa de algumas atitudes governamentais. Tenha-se em vista os números absurdos de miséria e fome que há em nosso país. Deixe, por um momento, sua ideologia de direita, esquerda, neoliberal, socialista, etc. de lado e julgue simplesmente se é justo uns terem tantas terras, tanto dinheiro, tanta comida para a família e para o poodle do apartamento enquanto há muitos que sobrevivem sem ter onde morar ou o que comer. É justa a “felicidade” à custa da tristeza de muitos outros?
Num mundo tão injusto e de constante degradação da espécie humana, creio que, fora o argumento dos religiosos (o mais coerente), não existe felicidade plena. Gostaria de voltar no tempo e resgatar a alegria de viver, esquecida naquela feliz cidade da minha infância, presente em algum lugar dentro de mim mesmo (e cada um tem a sua). É essa impossibilidade que faz a minha cidade ser como Atlântida, afundada pelas águas de egoísmo e pessimismo engendrados na sociedade.
sábado, 26 de setembro de 2009
MONOTONIA
Hoje é um daqueles dias. Sento-me em frente ao computador com uma vontade enorme de escrever, mas sem idéias, sem tempo e sem dominar as novas regras ortográficas. Reforminha besta essa! Não poderia vir em momento pior. Logo quando eu resolvi ter um blog! Eu gosto do trema, tenho um carinho especial por ele. Pena não poder falar-lhes - pois seria melhor demonstrar falando - que há uma diferença discrepante entre lingüiça e linguiça. Linguiça é feio (sem querer fazer qualquer tipo de trocadilho). Estréia fica horrível sem acento. E como as pessoas viajarão se não há mais acento em vôo? (Agora sim o trocadilho). Mudanças causam-me extrema repulsão. Sou desordenadamente metódico. E quando as coisas mudam demandam tempo, esforço. Sou do tipo que não gosta do esforço gratuito. Canalizo todas as minhas forças no que considero importante, primordial. Reaprender o português será primordial em 2012, quando o novo acordo ortográfico será obrigatório. Até lá eu continuarei usando o trema em lingüiça, o acento em estréia, em vôo, etc. É como meu avô sempre dizia: "Por que fazer hoje o que se pode deixar para amanhã?". Mentira. Meu avô não dizia isso não, quem diz sou eu.
Meu avô era como a maioria dos brasileiros: trabalhador, dedicado, honesto. Tudo bem, concordo. A última característica não é tão da maioria dos brasileiros assim. Mas meu avô era. O brasileiro é malandro, já por natureza. Porém, há alguns que se dão bem com a malandragem. Titio Sarney Bigode de Bode está aí para provar. Acho que nunca encontrarei alguém tão malandro quanto ele. A malandragem do meu avô era pura. Meu avô era puro. E não conhecia a nova reforma ortográfica. Nem sabia escrever direito, coitado. Mas isso não o fez ser pior. Muio pelo contrário. Ele sabia que a família é a coisa mais importante do mundo e por isso se esforçou para cuidar da minha mãe e dos outros cinco filhos. Essa herança percorreu incólume as gerações seguintes e hoje sei que a minha família é o que há de mais importante no mundo. Mas quanto a isso não podemos nem reclamar de Sarney Bigode de Lontra, pois ele gosta da família dele. E como gosta!
Todas essas coisas me fazem refletir se, em meio a esse mundo lúgubre, as pessoas ainda sabem valorizar o que realmente é importante. Será que sabem o que realmente é importante? Na selva urbana em que vivemos, ganha as lutas quem tem, e não quem é. Os poderosos tentam interromper as primaveras, distrair o povo com assistencialismos quando deveriam conceder igualdade. Fazem reformas ortográficas quando deveriam reformar o ensino. Muitos alunos do ensino público chegam ao ensino médio sendo semi-analfabetos. Será que saberão distinguir a diferença entre estreia e estréia? Será que os jovens necessitados de recorrer aos órgãos públicos descobrirão o caminho oposto ao da malandragem? Será que eles têm em quem se espelhar, ou só enxergam a prosperidade nos caminhos tortuosos da desonestidade? Quem é o exemplo dessa geração? Sarney Bigode de Camelo? Quando a malandragem será punida? Quando as reformas serão realmente relevantes? Estamos perdidos ou essa é apenas uma transição? Quando...? Quem...? O que...? Pergunta não falta. Somos um povo carente de respostas e sedento por ações. Atitudes há, porém os beneficiados não mudam. A esse tipo de mudança não sou relutante e luto sim por melhorias, pois isso é algo que não se pode deixar para amanhã.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
PROGRESSO COM DESORDEM
Em sete de setembro de 1822, as margens- supostamente plácidas- do Ipiranga parecem ter ouvido um brado supostamente retumbante de um povo supostamente heróico. Não há relatos históricos comprovando a existência da famosa pintura que mostra Dom Pedro I "bradando". A independência brasileira foi um movimento elitista liderado por uma monarquia sedenta por poder e disposta a qualquer coisa para interromper as pressões populares e manter a manipulação exercida pelos poderosos da época. O Brasil era carente de heróis.
Assim foi se construindo o Brasil: com uma história incoerente e discriminatória. Foi formado no país um baldrame forte de ameaças políticas e medo popular para as decisões tomadas. Medidas imediatistas, inconseqüentes e disparatadas, adotadas por diversos governantes, conduziram a nação a um cenário tenebroso, no qual os escândalos, a corrupção, a desigualdade, a impunidade e avanços e milagres econômicos marcados por intensa concentração de renda preenchem os noticiários e as casas de poder nacionais.
Quantas vezes ouvimos sobre mensalão em 2006? O deputado Roberto Jeferson resolveu entregar todo o essquema por não estar muito satisfeito com o lucro que tinha. A CPI desse caso ainda existe, mas pouco se ouve falar sobre ele hoje. Com a ajuda da mídia, o povo foi acalmado e os envolvidos acabaram impunes por não haver cobrança por parte da população pacata, sem identidade nacional e isenta de patriotismo (exceto na Copa do Mundo) existente, resultado da lobotomização feita no povo pelas autoridades, o que calou e cegou os cidadãos. Hoje ouvimos sobre atos secretos, comandados por um dinossauro do poder e um conselho de ética desprovido de qualquer ética, e temos que ouvir calados.
No atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva vive-se um progresso ainda modesto e desigual, em que são favorecidos os já favorecidos, apesar das ações assistencialistas praticadas pelo presidente que não suprem as necessidades de todos. Os avanços econômicos ainda não são revertidos em avanços sociais como a melhoria da educação, da saúde, etc.
Enfim, temos de nos lembrar nessa data que vivemos num país democrático, e é exatamente a democracia que deve ser celebrada. O povo tem nas mãos o poder para a mudança, só temos que aprender a usá-lo. A mudança de postura dos brasileiros é fundamental nesses tempos de crise para que o potencial que temos se transforme em melhorias concretas que sejam para o bem e prosperidade de todos. Os políticos só se interessarão pelo povo quando este se interessar pela política.
domingo, 30 de agosto de 2009
SEM FREIO
Frase vencedora de uma conferência internacional do meio ambiente:
"Todos pensando em deixar um planeta melhor para os seus filhos...
Quando pensarão em deixar filhos melhores para o planeta?"
Minha resposta para essa pergunta é simples:
"Nunca!!"
Na atual conjuntura do planeta, não há possibilidade, e muito menos interesse, de se deixar filhos melhores para o mundo, porque há preocupação demais em se usufruir dele para interesses individualistas. Isso consome o ser humano, a ponto de não restar tempo para se ensinar ou conscientizar os filhos. Ninguém pode ensinar o que nunca aprendeu. É uma reação em cadeia.
O efeito dominó que tem derrubado todas as pilastras de sustentação da Terra - o bom senso, o altruísmo e a boa vontade são algumas - tem um início não muito obstante e está longe de acabar. O alicerce de consumo incessante foi o que derribou a primeira, quando começaram as Grandes Navegações e a Era Capitalista. E como o consumismo não está nem perto do fim, é imprevisível o que nos aguarda, pois a busca constante por lucro e vantagens pessoais cega o homem para o que está ao seu redor.
A exploração da Amazônia, por exemplo, já gerou mais de 150000Km², sendo que foram praticamente 12000km² só em 2008, segundo dados do IBGE. Esses dados comprovam o descontrole e o descompromisso do homem com a sustentabilidade do planeta. Será que é esse modo d vida que queremos transmitir às gerações futuras?
A solução mais uma vez está na educação. O governo, de um modo geral, deve investir nesse setor, para que os nossos filhos tenham uma formação melhor e para que os pais, mesmo aqueles que não têm condições de pagar um preço alto, possam ver seus descendentes inseridos em uma sociedade mais educada e, por conseqüência, mais consciente e responsável.
sábado, 22 de agosto de 2009
FORA SARNEY!!!
544 atos secretos, que concederam promoções, gratificações e benefícios.218 nomeações para cargos de confiança, 116 exonerações, 37 atos criando ou prorrogando comissões de trabalho e 82 boletins concedendo gratificações a servidores efetivos.
Os parlamentares que moram em Brasília mas não usam apartamentos funcionais, cedidos pelo governo, recebem, mensalmente, 3.800 reais de auxílio-moradia. José Sarney possui apartamento funcional e mesmo assim recebe o auxílio-moradia.
Ocultou da Justiça Eleitoral uma casa avaliada em 4 milhões de reais situada na Península dos Ministros, área nobre do Lago Sul de Brasília. Ele comprou a casa em 1997 por meio de um contrato de gaveta. Ele disputou as eleições de 1998 e 2006 e em nenhuma das oportunidades o imóvel foi incluído nas declarações de bens apresentados à Justiça Eleitoral. O Excelentíssimo, porém idoso, senador alegou ser esquecimento. Talvez ele precise se refugiar num asilo e receber tratamento especial para não mais esquecer coisas tão importantes.
"Em junho de 2001, o presidente do Senado, José Sarney, esteve em Veneza, na Itália, ao lado do banqueiro Edemar Cid Ferreira, amigo de mais de três décadas. Eles foram acompanhar a cultuada Bienal de Artes da cidade. Sarney e Edemar visitaram exposições e foram a festas. Semanas depois, já em São Paulo e de volta ao trabalho, o então dono do Banco Santos mandou registrar em seu computador detalhes financeiros da temporada da dupla em Veneza. O registro faz parte dos milhares de arquivos digitais que integram o processo sigiloso de liquidação do banco. O documento tem como título "JS-2". Em sete linhas ele relata a movimentação de uma conta em dólares no exterior. Há um ano, VEJA teve acesso a esse e outros documentos do rumoroso caso de liquidação extrajudicial do Banco Santos. Na semana passada, finalmente ficou claro que JS-2 era o nome-código de uma conta em dólares de José Sarney e que as anotações feitas em 10 de junho de 2001, exatamente no dia da abertura da Bienal, se referiam a movimentações de fundos. Edemar registrou a entrega de 10.000 dólares em Veneza a "JS". Edemar Cid Ferreira se referia ao presidente José Sarney em documentos do banco recolhidos pelos interventores e em poder da Justiça pelas iniciais "JS." Caso encerrado? As evidências são inequívocas, mas à polícia e à Justiça cabe a palavra final." Revista Veja- edição 2121- 15 de Julho de 2009. O senador alegou, como de costume, desconhecer tais informações. A julgar pelo círculo de amizades de JS, a situação se complica mais ainda. Edemar foi condenado pela Justiça, em primeira instância, a 21 anos de cadeia, já passou duas temporadas em uma penitenciária em São Paulo e está com todos os bens bloqueados pela Justiça. Minha mãe sempre me disse: "quem com porco anda, farelo come". Nesse caso só fica difícil discernir quem é o porco e quem come o farelo.
A Fundação José Sarney desviou verbas da Petrobrás para firmas-fantasmas e empresas da família do senador. Sarney disse que não tem nenhuma responsabilidade administrativa na fundação que leva seu nome. Porém, de acordo com o estatuto da entidade, a fundação está sob as ordens do parlamentar e de sua família.O artigo 19 do capítulo 5 enumera cada uma das responsabilidades de Sarney como "presidente vitalício" e fundador. O estatuto diz que compete a Sarney presidir as reuniões do conselho curador. Neste estão presentes vários de seu familiares, entre eles um filho de Sarney, Fernando, um irmão, Ronald Sarney, e Jorge Murad, marido da governadora Roseana Sarney, filha do presidente do Senado. Cabe ao conselho curador nomear os três titulares do conselho fiscal. Compõem esse colegiado Antônio Carlos Lima, Joaquim Campello Marques e Jurandi de Castro Leite. O primeiro, conhecido como "Pipoca", é assessor do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), aliado de Sarney. Empresas ligadas a Lima receberam mais de R$ 170 mil dos cofres da fundação de recursos da Petrobras. Os outros dois membros são do ramo literário e amigos do senador. Joaquim Campello é lotado na presidência do Senado e ocupa a vice-presidência do Conselho Editorial da Casa, também presidido por Sarney.
Essas são só algumas das denúncias a José Sarney, das quais ele foi completamente absolvido pelo Conselho de Ética do Senado. São 54 anos de carreira política. Já foi deputado, governador, senador, presidente. Quando veio a ditadura ele era ditador, quando a direita assumiu ele era conservador, quando a esquerda estava no poder ele era socialista. Junto com sua família dominou o Maranhão como se ainda vivessemos a política das oligarquias. Talvez esse seja o momento ideal para uma aposentadoria não tão digna. Antes tarde do que nunca. O cargo de presidência do Senado é um cargo de muito respeito para ser ocupado por pessoas tão imundas. Estou oficialmente aderindo à campanha FORA SARNEY!!
MORTOS-VIVOS
Vivemos em cavernas. Nossos hieróglifos horrendos se transformaram em palavras ríspidas e gestos macabros. O nosso fogo é a soberba. Porém, não somos os homens das cavernas, pois nos tornamos vampiros. Vampiros que vivem em grutas. O ódio, o orgulho e a ganância transformaram as vidas dos outros no nosso alimento. Numa conjuntura de batalhas e confrontos diários e constantes, a nossa dependência passou a depender das mortes alheias.
Todos os dias nos submetemos à carnificina imposta pelos dráculas errantes que nos cercam e pelos nossos ancestrais, nos tornando réus e vítimas, tomando posse da herança de sangue que nos foi transmitida. Morbidamente sarcásticos, aprendemos a andar com estacas e cravá-las impiedosamente - quando não nos nossos próprios - nos peitos de quem ousa tentar descobrir, destruindo desejos, sonhos e esperanças de que haja algo mais, algo além das nossas cavernas e da escuridão intrínseca à mediocridade da nossa existência.
Se fomos criados para existir por um propósito, nos subvertemos, e nos conformamos a viver somente para os nossos interesses. Somos o escorpião que mata o sapo. O nosso beijo é sempre o que nos torna agradáveis, preparando a nossa traição. A morte é sempre o que reaviva a nossa lembrança.
Interrogamo-nos constantemente: o que nos espera fora de nós mesmos? Será que é válido o sangue de uns ser o sustento e a força para a ascenção de outros? Será que vale a pena vivermos para matarmos? Será que algum dia vamos viver antes da nossa morte? Perambulamos na Terra à procura de um sentido. Será que enterramos junto com o sepulcro do nosso espírito toda a esperança de sermos melhores? Talvez não haja resposta para tantas indagações.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
FESTA DE IRRESPONSABILIDADE!

Autonews, 26 de Fevereiro de 2009:
"No primeiro carnaval com a lei seca em vigor foram registrados nas estradas federais 2.865 acidentes contra 2.396 no ano passado. O balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) registra aumento de 20% das ocorrências.O festejo foi marcado também pelo crescimento no número de feridos: 1.748 pessoas, em 2008, contra 1.472 este ano.
A notícia positiva foi a estabilização do índice de mortes. Em 2008, 128 pessoas perderam as vidas nas rodovias contra 127 este ano. Uma pessoa morria a cada 18,7 acidentes no ano passado e, este ano, a média ficou em um óbito para cada 22,5 acidentes. Hélio Derrene, diretor-geral da PRF, considera a redução de mortes importante: “Se a frota em circulação nas rodovias foi recorde, seria natural esperar o crescimento das ocorrências de trânsito. Mas a verdade é que conseguimos estabilizar o número de óbitos e reduzimos em 20% a fatalidade dos desastres”. "
O carnaval, considerado uma festa popular, tem causado muitos distúrbios à população. Como mostram a notícia e a tira acima, o carnaval tem se mostrado nos últimos tempos um período turbulento, violento e fatal. O que era pra ser uma festa, se tornou um mar de sangue.
O motivo desse mar de sangue é a falta de responsabilidade e respeito demonstrada pelos foliões, que, preocupados em "curtir" a festa se esquecem de que ao seu redor há seres humanos. Esse período é considerado por muitos um momento de extravasar tudo que há de ruim, que foi guardado durante um ano. Nesse período, não se respeitam regras, normas nem leis, com impunidade pela desculpa de estarmos no carnaval.
O governo toma atitudes que imprimem um pseudo-rigor à sociedade, como a lei seca, mas nesses quatro ou cinco dias, a fiscalização é precária e as leis se tornam dispensáveis porque todos só pensam em brincar e pular, mesmo que seja bricar com a vida alheia ou com a própria vida e pular em cima da constituição e da justiça.
Analisemos a notícia:
"A notícia positiva foi a estabilização do múmero de mortes..."
Essa é a notícia positiva. 127 mortes. Então, quando você vir escrito em algum lugar: "Notícia negativa sobre o carnaval", se sente, respire fundo e peça a Deus para não ter um ataque, antes de continuar lendo, porque a notícia vai ser um desastre total.
"Uma pessoa morria a cada 18,7 acidentes no ano passado e, este ano, a média ficou em um óbito para cada 22,5 acidentes..."
Belo progresso, hein!
Esse tipo de notícia mostra a banalização da vida humana que há durante o carnaval. Ninguém se respeita. Pessoas brigam, se prostituem e se matam nas ruas. E os turistas têm toda a regalia e levam para o exterior a imagem de um país baderneiro, inconsequente e condizente com a violência. Vêem as fotos das mulheres estampadas nas propagandas de agências de turismo e buscam o sexo fácil. Encontram mulheres dispostas a fazer qualquer coisa, porque estão no carnaval. Retornam às suas casas pensando que o Brasil é assim o ano todo e que pode se fazer o que quiser aqui porque a nossa digníssima justiça não se dá ao respeito de punir os baderneiros e inconsequentes.
Carnaval não é festa, é apenas um subterfúgio para que se façam atrocidades e se cometam crimes sem a punição devida. Carnaval não é tradição, é turismo sexual. Gente pelada não deveria ser um traço cultural!
domingo, 8 de fevereiro de 2009
ABRAM-SE, OLHOS!

A foto mostrada acima é do castelo construído pelo novo corregedor-geral da câmara dos deputados Edmar Moreira. O assunto já é conhecido da maioria. O castelo tem 36 suítes, uma adega com capacidade para oito mil vinhos, os quais ele usa nas "festinhas" promovidas para deputados. Agora o mais impressionante: esse castelo está avaliado entre 20 e 25 milhões de reais.
Eu sei que o assunto sobre a corrupção na política é recorrente e corriqueiro, porém não podemos ver uma notícia como essa e ficarmos felizes como se fosse normal um deputado ter um castelo que custe mais do que a construção de uma escola por exemplo.
A disparidade econômica e social entre as classes da população brasileira é notável e é inaceitável o fato de um político que nunca fez nada pela população que mereça destaque, esteve e está envolvido em escândalos ter tanto enquanto grande parte da população não tem nem onde morar.
Edmar Moreira tem um patrimônio astronomicamente alto não declarado, suas empresas estão sendo investigadas por terem dívidas com o INSS, propôs que a justiça, e não a Câmara julgue os deputados, e, por último, votou pela absolvição de nove deputados, sendo 5 do PT, quando era integrante do Conselho de Ética à época do mensalão. Confiável, não!?
A desonestidade e falta de ética e de compromisso dos políticos com a nação brasileira estão estampados nas notícias e escândalos que lemos todos os dias. O homem é fruto do meio em que vive, já disse John Locke, e a desonestidade, a soberba e o egoísmo são características intrínsecas à personalidade humana. Essas características são mostradas quando o homem sente a necessidade de se sentir superior, e para isso faz o que for preciso para alcançar certo objetivo, mesmo que essas medidas prejudiquem outras pessoas, o que acontece a todo o momento não só na política mas em quase todos os âmbitos da nossa vida.
Por isso, não devemos analisar a corrupção na política como algo distante e irremediável, antes devemos nos remediar, afim de que possamos mudar o que está perto de nós para que toda essa disparidade seja enfim extinguida dessa nação e não vejamos mais nos noticiários notícias absurdas como a construção desse castelo com o dinheiro que nem sabemos ao certo de onde veio enquanto muitos passam por necessidades urgentes e risco de vida, mas para que vejamos enfim uma justiça atuante e que seja realmente justa, punindo a quem tiver de ser punido, seja um morador de uma comunidade, um grande empresário ou um político, como o senhor Edmar Moreira, entre tantos outros. A mudança e construção de uma nação justa e igualitária começam dentro de cada cidadão e são refletidas nas atitudes de cada um.
Eu sei que o assunto sobre a corrupção na política é recorrente e corriqueiro, porém não podemos ver uma notícia como essa e ficarmos felizes como se fosse normal um deputado ter um castelo que custe mais do que a construção de uma escola por exemplo.
A disparidade econômica e social entre as classes da população brasileira é notável e é inaceitável o fato de um político que nunca fez nada pela população que mereça destaque, esteve e está envolvido em escândalos ter tanto enquanto grande parte da população não tem nem onde morar.
Edmar Moreira tem um patrimônio astronomicamente alto não declarado, suas empresas estão sendo investigadas por terem dívidas com o INSS, propôs que a justiça, e não a Câmara julgue os deputados, e, por último, votou pela absolvição de nove deputados, sendo 5 do PT, quando era integrante do Conselho de Ética à época do mensalão. Confiável, não!?
A desonestidade e falta de ética e de compromisso dos políticos com a nação brasileira estão estampados nas notícias e escândalos que lemos todos os dias. O homem é fruto do meio em que vive, já disse John Locke, e a desonestidade, a soberba e o egoísmo são características intrínsecas à personalidade humana. Essas características são mostradas quando o homem sente a necessidade de se sentir superior, e para isso faz o que for preciso para alcançar certo objetivo, mesmo que essas medidas prejudiquem outras pessoas, o que acontece a todo o momento não só na política mas em quase todos os âmbitos da nossa vida.
Por isso, não devemos analisar a corrupção na política como algo distante e irremediável, antes devemos nos remediar, afim de que possamos mudar o que está perto de nós para que toda essa disparidade seja enfim extinguida dessa nação e não vejamos mais nos noticiários notícias absurdas como a construção desse castelo com o dinheiro que nem sabemos ao certo de onde veio enquanto muitos passam por necessidades urgentes e risco de vida, mas para que vejamos enfim uma justiça atuante e que seja realmente justa, punindo a quem tiver de ser punido, seja um morador de uma comunidade, um grande empresário ou um político, como o senhor Edmar Moreira, entre tantos outros. A mudança e construção de uma nação justa e igualitária começam dentro de cada cidadão e são refletidas nas atitudes de cada um.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
MÚMIAS, ROBÔS, HUMANIDADE.
Certo dia, no divã de um consultório psiquiátrico:
-- Então, o que vês?
-- Doutor, eu vejo múmias, mas que se parecem com robôs. Isso! Múmias-robôs. É o que vejo! Elas andam sempre em fileiras, olhando sempre para baixo, para os próprios pés. São programadas para chegar a um destino e nunca páram. As ruas onde elas andam são sempre asfaltadas e com prédios muito altos (acho que elas não gostam da natureza). Quando uma dessas múmias-robôs dá defeito, é rapidamente jogada para o lado da fila, como um lixo qualquer, uma máquina obsoleta. Ninguém se preocupa em consertá-la. Quando uma delas cai, a que está logo atrás, na fila, passa por cima da que caiu. Elas nunca param de andar! Doutor, qual o significado desse sonho?
-- Lamento dizê-lo, amigo, que isso não é um sonho...
-- Então, o que vês?
-- Doutor, eu vejo múmias, mas que se parecem com robôs. Isso! Múmias-robôs. É o que vejo! Elas andam sempre em fileiras, olhando sempre para baixo, para os próprios pés. São programadas para chegar a um destino e nunca páram. As ruas onde elas andam são sempre asfaltadas e com prédios muito altos (acho que elas não gostam da natureza). Quando uma dessas múmias-robôs dá defeito, é rapidamente jogada para o lado da fila, como um lixo qualquer, uma máquina obsoleta. Ninguém se preocupa em consertá-la. Quando uma delas cai, a que está logo atrás, na fila, passa por cima da que caiu. Elas nunca param de andar! Doutor, qual o significado desse sonho?
-- Lamento dizê-lo, amigo, que isso não é um sonho...
domingo, 11 de janeiro de 2009
FINAL DE NOVELA. INÍCIO DE SENSATEZ.
Pois é. A novela "A Favorita" tá acabando. A Flora tá matando geral, a Donatela tá chorando geral e a Lara tá... chorando geral também. Aliás, eu desafio a me mostrarem uma cena onde as duas apareçam juntas e não chorem. Melhor ainda, eu desafio a me mostrarem uma cena onde a Donatela apareça sozinha e não chore. Coitada da Cláudia Raia. Pior ainda, coitado do Edson Celulari, porque a "Claudinha" deve chegar tão cansada, triste e deprimida por causa do personagem, que não dá tempo nem de...
Enfim...
Qual o sentido de uma novela? Se alguém tiver uma explicação, eu sou todo ouvidos. Podem dizer que é uma representação da vida real, com problemas reais e soluções reais. Há!! Até parece!! A única coisa que tem de real numa novela é... é... é... não tem nada real! Apenas é mostrada uma visão privilegiada sobre as dificuldades da vida, de um autor, na grande maioria das vezes proveniente de uma família rica, nascido em berço de ouro, que não teve tempo de viver problemas reais e tenta, de maneira fútil, superficial, mesquinha e sem nehum tipo de embasamento, abrir uma discussão sobre algum tema "super original" como racismo, relacionamentos de pessoas com diferença muito grande de idade ou de classes sociais diferentes.
Aliás, tá aí mais uma coisa intrigante sobre as novelas. Por que o tema principal é sempre um relacionamento? Então quer dizer que a vida se resume a romances e contos de fadas? A falta de originalidade dos autores é uma coisa surpreendente. É sempre assim: tem uma mulher. Essa mulher é apaixonada por um cara. Esse cara é apaixonado por essa mulher. Mas tem outra mulher, que chamaremos de mulher2, que é apaixonada pelo mesmo cara, mas o cara não a ama. Então a mulher2 começa a tramar altos planos para destruir a mulher e o cara. O cara acaba ficando com a mulher2 por dor de cotovelo. Aí tem o cara2, que é o outro apaixonado pela mulher. Ele se aproveita da situação e fica com a mulher. Mas a novela muda completamente e a mulher e o cara voltam a ficar juntos. Mas a mulher2 e o cara2 se unem para destruir a mulher e o cara. Conseguem. Curtem o namoro com os amados. Mas a mulher e o cara descobrem toda a trama da mulher2 e do cara2 e terminam juntos e felizes para sempre. Que lindo! Já posso escrever uma novela! Mas desde quando isso é vida real? Na vida real, muitas "Marias" e muitos "Joãos", protaginistas de suas próprias vidas, param em cadeias, hospitais e cemitérios injustamente, enquanto muitos afortunados, com nomes importantes, não respondem pelos crimes que cometem. É quase sempre assim, um final feliz para os injustos e trágico para os batalhadores.
Mas é provável que muitos não percebam isso, porque estão tão alienados e concentrados em torcer para um personagem de uma ficção, que esquecem de pensar. Agem como robôs, manipulados, criados e "consertados" pela mídia. Acham que o que é passado pela tela da TV é regra quando as necessidades reais e as pessoas que realmente precisam de torcida e ajuda estão bem perto.
Viu aquela novela? Então vê se aprende a lição e não veja a outra, porque a história é sempre a mesma e a tentativa de alienação da sociedade e manipulação de opiniões nunca acaba.
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