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sexta-feira, 14 de junho de 2013

SILÊNCIO IMPOSTO

Não sou romântico. Não penso em grandes revoluções que possam mudar o destino do mundo. Sei que este está fadado a um destino não muito agradável, e um dia terá seu fim. Entretanto, sei que muitas de suas mazelas são de responsabilidade daqueles que o habitam e poderiam ser revertidas se houvesse interesse. O que me incomoda não é a estagnação, mesmo porque tenho visto movimentos pelo globo. Busca-se a ordem, a paz. Busca-se a fuga do caos. Muitos já não suportam mais a forma como são conduzidos os assuntos de interesse global. Entendo que não há ordem nem paz sem que se estabeleça primeiramente o caos, e em muitos momentos de nossa história percebemos que quem tem a solução instala o problema, e disso tira vantagem. Mas ainda assim, quem pode se posicionar, luta.

O Brasil, porém, é um caso à parte na história do mundo. Fomos fundados há pouco mais de 500 anos sobre bases corruptas, exploradoras e estúpidas, e estuprados sem qualquer pudor ou ordem. Mandatários irresponsáveis e aproveitadores tiveram a batuta em suas mãos e nada fizeram a não ser sugar o que de bom havia, pois interesses individuais sempre prevaleceram sobre o bem da nação, para que o poder se concentrasse cada vez mais em quem mandava. Fomos subitamente silenciados e instaurou-se em nossa cultura a passividade e aceitação através da "burrice" imposta.  Inocência pensarmos o contrário. Tiradentes que o diga, e princesa Isabel até hoje não sabe que carta foi aquele que ela assinou. Cezar ficaria com inveja do pão e circo da terra do pau-brasil. Nem em Roma foi tão eficaz.

Devido a tantos anos de repressão e de uma ditadura eterna - subjetiva ou declarada, exposta ou não no nome da política de governo - fomos levados a um estado de marasmo e acomodação. Não sabemos pelo que nem como nos posicionarmos. Não sabemos nem em quem votamos, nem o que fazem para honrar a nossa representação. Tiririca é deputado federal e até hoje ainda não descobriu qual é sua função - não se preocupe, Tiririca, a maioria não sabe. Somos extorquidos por impostos estratosféricos e corrupção impunível. Nosso dinheiro é despejado com abundância, pedantismo, soberba, orgulho e sem medida na organização de um evento e na construção de grandes arenas - mais de 4 bilhões de reais -, mas para a administração de um hospital universitário está em falta.

Entretanto, tenho observado um ensaio de movimentação, de revolução, de exteriorização de uma voz latente em nossas mentes dizendo: "Não aguento mais! Do jeito que está não pode ficar! Alguma coisa tem de ser feita!". Tenho observado o despertar de uma juventude que não se conforma, dentre outras coisas, com o preço absurdo de uma passagem para viajar em condições precárias, desumanas. Uma juventude que não entende o porquê da privatização dos hospitais se há tanto dinheiro nos cofres públicos. Uma juventude que se preocupa também com a PEC 37, senhor Arnaldo Jabor. Uma juventude majoritariamente de classe média sim, como o senhor mesmo disse, mas que carrega o país nas costas através de seu trabalho pesado, para que grandes magnatas usufruam os bens e as regalias desse país, enquanto nós nos esforçamos e encaramos de frente as mazelas desse país. Uma juventude que não mendiga 20 centavos, mas que não suporta mais o estupro de um governo que não premia nem retribui o trabalho e a dedicação, e de empresas que não pensam em nada além do lucro para alimentarem suas próprias redes de corrupção.

Portanto, vejo com esperança o despertar de algo que pode, sem romantismo, mudar alguma coisa enquanto o mundo existe, mesmo que a mídia tente abafar enquanto pode, mesmo que a Globo continue sendo testa de ferro de um governo "prostituto", medíocre, incompetente, sem identidade, sem ideologia e sem caráter. Mesmo que a "teletela" persista em tentar nos dizer o que devemos fazer, vejo que um novo Brasil pode começar a se erguer, e através disso tenho esperanças de dar aos meus descendentes algo melhor do que o que vivo. Algo melhor do que Renan Calheiros na presidência do Senado, Paulo Maluf e José Genuíno na Comissão de CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA. Vejo um ponto de partida. Aonde nos levará só o tempo poderá dizer.  

terça-feira, 20 de setembro de 2011

PEDINTES. UM RELATO FICTÍCIO, MAS REAL

― Olá, meu nome é José. Tenho sido perseguido por uma visão. Estou andando pela orla de Copacabana. Inesperadamente, sou abordado por um homem bem vestido, de terno e sapatos importados, cabelos bem penteados, com uma mala de couro legítimo em uma das mãos e uma caneca em outra, pedindo-me dinheiro. Logo à frente, havia um maltrapilho, mal cheiroso, que me contava sua história, dizendo que chegara àquela situação por negligência e abandono de sua família, que o rejeitou após ter perdido seu emprego e todos que passavam em volta o rejeitavam enquanto davam atenção à eloquência e à imagem do outro. Minha visão se encerra por aí. Cansei de buscar especialistas para que minha visão fosse interpretada.

― Sua visão, seu José é simples e sugestiva, pois o mundo é feito de pedintes. Desde a mais longínqua história, pede-se. Esse ato, porém, não está restrito a quem necessita. Se desse modo fosse, seria justificável, assim como a imagem de quem necessita não está sempre diretamente relacionada a um semáforo ou à parte inferior de uma ponte ou viaduto. O perfil de pedintes no Brasil é tão variado que, em determinado momento já nem se sabe mais o que se pede, mas é peculiar que todas as esferas peçam.
Entretanto, historicamente, o brasileiro foi levado a se satisfazer com qualquer agrado, enquanto uma parcela goza de regalias e privilégios inerentes ao poder que exercem. Estes, quanto mais têm, mais querem. Assim caminhou a humanidade brasileira ao longo dos anos. Com passos de formiga. 
Nos últimos anos, contudo, o brasileiro está aprendendo a driblar por um pouco a manipulação histórica e um avivamento de movimentos está ocorrendo. Vive-se uma onda de greves e movimentos reivindicatórios, abordados pela grande mídia (leia-se Rede Globo, canal 666) de forma distorcida, como se fosse errado ou vexatório ― coisa de quem não tem o que fazer ― lutar por seus direitos.
Nesse ínterim, o piso salarial de deputados e senadores continua subindo ― alguns dinossauros da política alcançam uma folha salarial de quase 70 mil reais ― e megaempresas continuam a receber grandes isenções e estímulos do governo para se estabelecerem cada vez mais e manterem a exploração das nossas terras e do nosso povo. Enquanto isso, professores e servidores públicos recebem as piores críticas simplesmente por quererem condições mais justas e dignas de condições de trabalho, palavra esta com a qual muitos políticos não são familiarizados. Há algum tempo, foram gastos 30 milhões de reais para a realização do evento para sorteio dos grupos da Copa do Mundo enquanto, já sob denúncias de superfaturamento, foram gastos 23 milhões de reais para a construção do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) no Rio de Janeiro, o qual foi criado para ser referência nacional. Abrimos mão de grande parcela do nosso salário e devemos considerar um favor do governo uma rua asfaltada ou uma iluminação pública decente ou um sistema de saúde capaz de atender a todos.
Há outras diversas denúncias e para todas elas a pergunta é a mesma: Onde estão e para quem são as prioridades? Há um grande problema de vista em muitos brasileiros, que estão, de certa forma, pedindo esmola. Mas de quem é a culpa?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

NO SINAL

Lá estava o meu carro. Parado. Os limões subiam e desciam, giravam, rodopiavam, alguns com certa habilidade, precisão, e outros com um tanto de dificuldade, como que em aprendizado, como se não soubessem aonde ir. Não sabiam mesmo. Já não sabem também o que fazer para atraírem atenção. Dia e noite passam e os sinais vermelhos não se esverdeiam. A transparência dos vidros fechados reflete os corações opacos daqueles que vêm e vão, por vezes mais perdidos que os próprios limões. Estes estão sozinhos e, apesar de seus esforços, continuam se deparando com faróis, lanternas, luz interna e painéis que não param de piscar a luz vermelha. Mesmo assim continuam no sinal. Inconveniência, abuso, costume ou último recurso? De quem será a culpa? Até os vidros poderosos estão fechados. Na verdade, estão blindados.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

TRABALHO, PRESSÃO, CANSAÇO

Sento-me à frente do computador. Vontade de escrever não me falta, mas nada me surge na mente. Falar sobre o quê? Política? Clichê demais. Esporte? Banal demais. Comportamento? Incerto demais. Nada me parece bom o suficiente. Sinto-me preso a mim mesmo, preso às minhas idéias - ou à falta delas.

Minhas mãos, então, se levantam, vão ao teclado e voltam sem resposta, desoladas. Levantam-se mais uma vez, vão à cabeça, raspam suas unhas em meu couro cabeludo, voltam um pouco mais aliviadas. Ainda não surgiu nada. Voltam a se erguerem, juntas esfregam minha face, voltam ao teclado, continuam desesperadas, ansiosas por uma resposta, um sinal cerebral. Nada chega a elas. Elas se cansam, apóiam-se sobre as coxas, cansadas, exauridas. Refletem a pressão e a cobrança por produtividade, mesmo quando nada tem a se oferecer, devido à sobrecarga do trabalho imposto a elas todo dia e o dia todo, à obrigatoriedade de se pegarem as coisas. O ideal seria cortá-las, substituí-las, já que estão inúteis quando mais se precisa delas. O cérebro, mesmo sendo o responsável, não admite culpa. Ele é poderoso demais para ser acusado. Bem, talvez ela precise de cuidados, creme hidratante, talvez uma massagem... Não! Não é necessário! Elas ficarão ali, estáticas, apenas obedecendo ordens porque não têm aonde ir.

Minhas mãos têm vida própria. Vivem como milhares de brasileiros. Sistema inútil, cruel e fútil!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O VERDADEIRO ESPÍRITO NATALINO

O mundo, talvez em alusão metafórica aos seus constantes movimentos, permite-se aflorar a sua dinamicidade. Ele está em perpétua mudança, como se tivesse vida própria, assim como as relações sociais observadas no dia-a-dia. Pessoas debatem, discutem, dialogam, brigam, tentam durante todo o tempo impor suas opiniões e forçar em outrem a aceitação de suas ideologias. Porém, todo esse processo sofre uma pausa quando o tão aguardado Natal se aproxima. Ah! o Natal! Momento sublime de carinho, afeição e amor de um ser humano para com o outro. Momento de reflexão, de se ajudar criancinhas que passam fome e moram na rua. Momento de se celebrar um marco histórico: o nascimento de Jesus Cristo. Em tese.  

Essa data tão especial chega acompanhada de uma característica muito marcante da humanidade: a falta de responsabilidade. O homem não se responsabiliza pela fome no mundo, ou pelo esgotamento de recursos naturais, ou pela violência desenfreada, ou pela desigualdade social. Nós temos a terrível e insalubre mania de não assumirmos culpa por nossos atos, pois agimos sem critérios ou escrúpulos quando o nosso interesse está em jogo e o nosso ego está à prova.

Foi exatamente isso que eu vi nesse Natal, pessoas comemorando de um jeito muito estranho o nascimento daquele que dividiria a história. Bêbados passeando pelas ruas, dirigindo. Homens e mulheres discutindo e se xingando mutuamente. Nem mesmo o tão comentado espírito natalino é capaz de superar o egoísmo humano. Aliás, supera até o momento em que alguma coisa foge do script, produzido de acordo com os interesses de cada um. Onde está o amor ensinado pelo aniversariante? Resume-se a um breve momento de reflexão - que dificilmente se concretiza em mudanças de posturas e atitudes - e troca de presentes que só servem para movimentar a máquina de poder e dinheiro chamada capitalismo. Não creio que seja essa a melhor maneira de se comemorar o aniversário do ser mais bondoso, amoroso e altruísta que já existiu.

Jesus sequer nasceu nesse período do ano, conforme apontam alguns relatos históricos. Segundo esses relatos, Ele teria nascido no período mais quente do ano em Belém, que seria de Julho a Setembro no nosso calendário. A atual data de comemoração (vinte e cinco de Dezembro) teria sido imposta pela Igreja com o objetivo de adaptação a uma festividade pagã existente nesse período do ano, visando uma lucratividade maior com a junção de duas culturas numa mesma celebração: o nascimento de Jesus com a existência do Papai Noel, a troca de presentes, etc.. Assim, praticantes de várias religiões poderiam gerar lucros ao mesmo tempo para o Estado, o que significava, à época, mais riqueza para a Igreja.

Infelizmente, a história desse planeta é feita, em boa parte, pela defesa de interesses em benefício dos poderosos. Ao invés de distribuírem-se alimentos num dia do ano, faça-se uma reforma estrutural da sociedade. Assim, os que são vítimas da fome no mundo - cerca de um bilhão de habitantes - deixariam de sofrer. Dados da ONU comprovam que uma fusão das economias dos países ricos e emergentes sanaria esse problema. Só o dinheiro gasto na guerra do Iraque já seria suficiente.

Enfim, o que eu vejo no Natal é uma oportunidade de redenção. Independentemente de datas ou fatos históricos, torço pela perpetuação de um sentimento mais humanitário, que dure o ano todo. Torço pela conscientização do seu verdadeiro sentido: o surgimento Daquele que veio para mudar o rumo do planeta e da vida de quem assim o quiser. Torço para que se siga o exemplo Dele de amor, sem a relevância de religiões, crenças ou opiniões. Torço por uma humanidade mais justa, menos desigual. Torço pela conservação da vida.

E você?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

DESTRUIÇÃO DO MUNDO DE SOFIA

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia", já diria Shakespeare. Eu já digo que hoje há mais filosofia entre o céu e a terra do que supõem as nossas vãs coisas. O homem mune-se constantemente de aparelhos com tecnologia "hi-tech", "hi-definition", "hi-lander"; computadores, carros, "carros-computadores", "computadores-carros", e mesmo assim continua buscando um sentido lógico para o fim da vida e uma justificativa sensata para o início dela. Os filósofos, pensadores e cientistas até que tentaram, cada um à sua época, provar suas teorias sobre algo que está muito além do alcance da sabedoria humana, simplesmente. Definir-se como materialista ou imaterialista ainda é muito pouco defronte à imensidão de dúvidas e questionamentos da humanidade. O maquinário e o arsenal listados no nosso inventário só foram recursos para o nosso regresso - vide Hiroshima e Nagasaki. Descobertas científicas foram apenas comprovações da nossa ignorância quanto ao que há fora da nossa redoma de vidro, que, extraordinariamente, é feito de água, terra, fogo, ar e dióxido de carbono, muito dióxido de carbono. Estúpida ignorância!

Está formado assim o nosso ciclo vicioso. Somos ignorantes. Fato! Por isso buscamos o conhecimento. Por isso inventamos máquinas. Para isso acabamos com a água, a terra, o fogo, o ar e aumentamos, em proporções astronômicas, o tal dióxido de carbono. Por isso estamos fadados à morte. Devido a isso revela-se a nossa ignorância. Por isso buscamos o conhecimento...

Onde nós iremos parar? Pergunta clichê, não?! Porém, se é clichê é recorrente. Se é recorrente, ainda não tem resposta. O meu cilindro não é como o de Crisopo e a minha bola não é de cristal (nenhuma das duas). Uma coisa, porém, posso afirmar: enquanto nos preocuparmos em sermos fortes contruindo castelos em areia para, hipocritamente, sermos melhores do que os outros e tentarmos nos defender de nós mesmos atacando o mundo, a vida continuará sem sentido e sem entusiasmo de ser vivida. Enquanto nos importarmos apenas conosco e com as nossas "coisas", a afinidade ao conhecimento só nos encaminhará mais rápido à destruição.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

FELIZ CIDADE

Ultimamente, muitas indagações embaraçosas de ordem filosófica têm preenchido meus pensamentos. Ontem me ocorreu o seguinte: “o que é a felicidade?”. Pensamentos sem-vergonhas os meus! Como responder a isso? Recorri ao “pai dos inteligentes”, o Aurélio. Há três definições lá. Se nem o dicionário soube ter exatidão ao definir algo, quem sou eu para fazê-lo? Cheguei a uma conclusão simples, imaginável e até meio óbvia. A felicidade é indefinível e incomensurável até o momento em que a vivenciamos e cada um a vivencia de maneiras distintas, dependendo das suas realidades, ambições e expectativas.

Depois de formulada minha conclusão, comecei a refletir sobre a minha realidade, minhas ambições e minhas expectativas. Cheguei a uma outra conclusão: esses três aspectos são frutos do desfecho deles mesmos em épocas passadas. Comecei a lembrar-me então da minha infância. Naquele tempo, sim, era-se “feliz”. A minha realidade era uma eterna e infinda imaginação. Minha ambição era conseguir o máximo de bolas de gude que pudesse. Minha expectativa era que mamãe me deixasse uma hora a mais na minha brincadeira eternal. Hoje minha realidade é mais dura. Minhas ambições são mais árduas. Minhas expectativas parecem mais impossíveis.

Quando me deparo com a realidade em que vivo, lembro-me de uma das definições do Aurélio para felicidade: “bom êxito; êxito, sucesso”. Nesse momento eu me pergunto: “êxito em quê? E o que é sucesso?”. A vida é composta por tantas lutas e desafios - e temos tantos fracassos – que se torna difícil dizer que a felicidade é um estado permanente. Ela é apenas uma premiação sentimental intrapessoal. Um indivíduo se premia de alegria quando obtém êxito ou sucesso em suas investidas. Por isso, mais uma vez eu digo que era “feliz” na minha infância. Sempre quando eu era um pirata eu tinha êxito na minha missão. Quando eu era policial, nenhum bandido era páreo para mim. Quando eu era político, eu virava presidente muito rápido, acabava com toda a miséria e a pobreza, fazia reforma agrária, distribuía a renda e todos gostavam de mim. É perceptível que vivemos de um modo bem diferente de quando eu era uma criança se divertindo na cidade de Nova Iguaçu.

A política hoje é um pouco mais complicada do que uma brincadeira de criança. Conquanto ainda haja dinossauros no poder – e, para ele a política é uma brincadeira, pois faz os cidadãos de palhaços – fazer política é muito mais do que fazer dinheiro e construir imagem. Será que ele é feliz? Ora, está desde 1954 iserido na esfera política, já foi presidente e hoje é um senador presidente da câmara rico, com sua família muito bem empregada. Pode-se dizer que ele obteve êxito e que suas ambições e expectativas foram alcançadas, não importa a que custo. É exatamente esse o problema – não só dos políticos como de boa parte da população. Eu me pergunto se ele, bem como vários outros políticos, pode deitar-se à noite tranqüilo pelo dever cumprido daqueles que se dizem “pelo povo”. Questiono se realmente realizam o exercício pleno de sua função, que é trabalhar pelo bem-estar e interesse geral da população. O verdadeiro êxito e sucesso de um ser estão na satisfação do dever cumprido, do trabalho bem feito e não no crescimento pessoal da conta bancária e do prestígio social independente de quem se prejudique.

No Brasil, muita gente se prejudica por causa de algumas atitudes governamentais. Tenha-se em vista os números absurdos de miséria e fome que há em nosso país. Deixe, por um momento, sua ideologia de direita, esquerda, neoliberal, socialista, etc. de lado e julgue simplesmente se é justo uns terem tantas terras, tanto dinheiro, tanta comida para a família e para o poodle do apartamento enquanto há muitos que sobrevivem sem ter onde morar ou o que comer. É justa a “felicidade” à custa da tristeza de muitos outros?

Num mundo tão injusto e de constante degradação da espécie humana, creio que, fora o argumento dos religiosos (o mais coerente), não existe felicidade plena. Gostaria de voltar no tempo e resgatar a alegria de viver, esquecida naquela feliz cidade da minha infância, presente em algum lugar dentro de mim mesmo (e cada um tem a sua). É essa impossibilidade que faz a minha cidade ser como Atlântida, afundada pelas águas de egoísmo e pessimismo engendrados na sociedade.

sábado, 26 de setembro de 2009

MONOTONIA

Hoje é um daqueles dias. Sento-me em frente ao computador com uma vontade enorme de escrever, mas sem idéias, sem tempo e sem dominar as novas regras ortográficas. Reforminha besta essa! Não poderia vir em momento pior. Logo quando eu resolvi ter um blog! Eu gosto do trema, tenho um carinho especial por ele. Pena não poder falar-lhes - pois seria melhor demonstrar falando - que há uma diferença discrepante entre lingüiça e linguiça. Linguiça é feio (sem querer fazer qualquer tipo de trocadilho). Estréia fica horrível sem acento. E como as pessoas viajarão se não há mais acento em vôo? (Agora sim o  trocadilho).  Mudanças causam-me extrema repulsão. Sou desordenadamente metódico. E quando as coisas mudam demandam tempo, esforço. Sou do tipo que não gosta do esforço gratuito. Canalizo todas as minhas forças no que considero importante, primordial. Reaprender o português será primordial em 2012, quando o novo acordo ortográfico será obrigatório. Até lá eu continuarei usando o trema em lingüiça, o acento em estréia, em vôo, etc. É como meu avô sempre dizia: "Por que fazer hoje o que se pode deixar para amanhã?". Mentira. Meu avô não dizia isso não, quem diz sou eu. 

Meu avô era como a maioria dos brasileiros: trabalhador, dedicado, honesto. Tudo bem, concordo. A última característica não é tão da maioria dos brasileiros assim. Mas meu avô era. O brasileiro é malandro, já por natureza. Porém, há alguns que se dão bem com a malandragem. Titio Sarney Bigode de Bode está aí para provar. Acho que nunca encontrarei alguém tão malandro quanto ele. A malandragem do meu avô era pura. Meu avô era puro. E não conhecia a nova reforma ortográfica. Nem sabia escrever direito, coitado. Mas isso não o fez ser pior. Muio pelo contrário. Ele sabia que a família é a coisa mais importante do mundo e por isso se esforçou para cuidar da minha mãe e dos outros cinco filhos. Essa herança percorreu incólume as gerações seguintes e hoje sei que a minha família é o que há de mais importante no mundo. Mas quanto a isso não podemos nem reclamar de Sarney Bigode de Lontra, pois ele gosta da família dele. E como gosta!

Todas essas coisas me fazem refletir se, em meio a esse mundo lúgubre, as pessoas ainda sabem valorizar o que realmente é importante. Será que sabem o que realmente é importante? Na selva urbana em que vivemos, ganha as lutas quem tem, e não quem é. Os poderosos tentam interromper as primaveras, distrair o povo com assistencialismos quando deveriam conceder igualdade. Fazem reformas ortográficas quando deveriam reformar o ensino. Muitos alunos do ensino público chegam ao ensino médio sendo semi-analfabetos. Será que saberão distinguir a diferença entre estreia e estréia? Será que os jovens necessitados de recorrer aos órgãos públicos descobrirão o caminho oposto ao da malandragem? Será que eles têm em quem se espelhar, ou só enxergam a prosperidade nos caminhos tortuosos da desonestidade? Quem é o exemplo dessa geração? Sarney Bigode de Camelo? Quando a malandragem será punida? Quando as reformas serão realmente relevantes? Estamos perdidos ou essa é apenas uma transição? Quando...? Quem...? O que...?  Pergunta não falta. Somos um povo carente de respostas e sedento por ações. Atitudes há, porém os beneficiados não mudam. A esse tipo de mudança não sou relutante e luto sim por melhorias, pois isso é algo que não se pode deixar para amanhã.
              

domingo, 30 de agosto de 2009

SEM FREIO

Frase vencedora de uma conferência internacional do meio ambiente:
"Todos pensando em deixar um planeta melhor para os seus filhos...
Quando pensarão em deixar filhos melhores para o planeta?"
Minha resposta para essa pergunta é simples:
"Nunca!!"
Na atual conjuntura do planeta, não há possibilidade, e muito menos interesse, de se deixar filhos melhores para o mundo, porque há preocupação demais em se usufruir dele para interesses individualistas. Isso consome o ser humano, a ponto de não restar tempo para se ensinar ou conscientizar os filhos. Ninguém pode ensinar o que nunca aprendeu. É uma reação em cadeia.
O efeito dominó que tem derrubado todas as pilastras de sustentação da Terra - o bom senso, o altruísmo e a boa vontade são algumas - tem um início não muito obstante e está longe de acabar. O alicerce de consumo incessante foi o que derribou a primeira, quando começaram as Grandes Navegações e a Era Capitalista. E como o consumismo não está nem perto do fim, é imprevisível o que nos aguarda, pois a busca constante por lucro e vantagens pessoais cega o homem para o que está ao seu redor.
A exploração da Amazônia, por exemplo, já gerou mais de 150000Km², sendo que foram praticamente 12000km² só em 2008, segundo dados do IBGE. Esses dados comprovam o descontrole e o descompromisso do homem com a sustentabilidade do planeta. Será que é esse modo d vida que queremos transmitir às gerações futuras?
A solução mais uma vez está na educação. O governo, de um modo geral, deve investir nesse setor, para que os nossos filhos tenham uma formação melhor e para que os pais, mesmo aqueles que não têm condições de pagar um preço alto, possam ver seus descendentes inseridos em uma sociedade mais educada e, por conseqüência, mais consciente e responsável.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

FESTA DE IRRESPONSABILIDADE!




Autonews, 26 de Fevereiro de 2009:


"No primeiro carnaval com a lei seca em vigor foram registrados nas estradas federais 2.865 acidentes contra 2.396 no ano passado. O balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) registra aumento de 20% das ocorrências.O festejo foi marcado também pelo crescimento no número de feridos: 1.748 pessoas, em 2008, contra 1.472 este ano.


A notícia positiva foi a estabilização do índice de mortes. Em 2008, 128 pessoas perderam as vidas nas rodovias contra 127 este ano. Uma pessoa morria a cada 18,7 acidentes no ano passado e, este ano, a média ficou em um óbito para cada 22,5 acidentes. Hélio Derrene, diretor-geral da PRF, considera a redução de mortes importante: “Se a frota em circulação nas rodovias foi recorde, seria natural esperar o crescimento das ocorrências de trânsito. Mas a verdade é que conseguimos estabilizar o número de óbitos e reduzimos em 20% a fatalidade dos desastres”. "


O carnaval, considerado uma festa popular, tem causado muitos distúrbios à população. Como mostram a notícia e a tira acima, o carnaval tem se mostrado nos últimos tempos um período turbulento, violento e fatal. O que era pra ser uma festa, se tornou um mar de sangue.
O motivo desse mar de sangue é a falta de responsabilidade e respeito demonstrada pelos foliões, que, preocupados em "curtir" a festa se esquecem de que ao seu redor há seres humanos. Esse período é considerado por muitos um momento de extravasar tudo que há de ruim, que foi guardado durante um ano. Nesse período, não se respeitam regras, normas nem leis, com impunidade pela desculpa de estarmos no carnaval.
O governo toma atitudes que imprimem um pseudo-rigor à sociedade, como a lei seca, mas nesses quatro ou cinco dias, a fiscalização é precária e as leis se tornam dispensáveis porque todos só pensam em brincar e pular, mesmo que seja bricar com a vida alheia ou com a própria vida e pular em cima da constituição e da justiça.
Analisemos a notícia:
"A notícia positiva foi a estabilização do múmero de mortes..."
Essa é a notícia positiva. 127 mortes. Então, quando você vir escrito em algum lugar: "Notícia negativa sobre o carnaval", se sente, respire fundo e peça a Deus para não ter um ataque, antes de continuar lendo, porque a notícia vai ser um desastre total.
"Uma pessoa morria a cada 18,7 acidentes no ano passado e, este ano, a média ficou em um óbito para cada 22,5 acidentes..."
Belo progresso, hein!
Esse tipo de notícia mostra a banalização da vida humana que há durante o carnaval. Ninguém se respeita. Pessoas brigam, se prostituem e se matam nas ruas. E os turistas têm toda a regalia e levam para o exterior a imagem de um país baderneiro, inconsequente e condizente com a violência. Vêem as fotos das mulheres estampadas nas propagandas de agências de turismo e buscam o sexo fácil. Encontram mulheres dispostas a fazer qualquer coisa, porque estão no carnaval. Retornam às suas casas pensando que o Brasil é assim o ano todo e que pode se fazer o que quiser aqui porque a nossa digníssima justiça não se dá ao respeito de punir os baderneiros e inconsequentes.
Carnaval não é festa, é apenas um subterfúgio para que se façam atrocidades e se cometam crimes sem a punição devida. Carnaval não é tradição, é turismo sexual. Gente pelada não deveria ser um traço cultural!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

MÚMIAS, ROBÔS, HUMANIDADE.

Certo dia, no divã de um consultório psiquiátrico:

-- Então, o que vês?

-- Doutor, eu vejo múmias, mas que se parecem com robôs. Isso! Múmias-robôs. É o que vejo! Elas andam sempre em fileiras, olhando sempre para baixo, para os próprios pés. São programadas para chegar a um destino e nunca páram. As ruas onde elas andam são sempre asfaltadas e com prédios muito altos (acho que elas não gostam da natureza). Quando uma dessas múmias-robôs dá defeito, é rapidamente jogada para o lado da fila, como um lixo qualquer, uma máquina obsoleta. Ninguém se preocupa em consertá-la. Quando uma delas cai, a que está logo atrás, na fila, passa por cima da que caiu. Elas nunca param de andar! Doutor, qual o significado desse sonho?

-- Lamento dizê-lo, amigo, que isso não é um sonho...

domingo, 11 de janeiro de 2009

FINAL DE NOVELA. INÍCIO DE SENSATEZ.

Pois é. A novela "A Favorita" tá acabando. A Flora tá matando geral, a Donatela tá chorando geral e a Lara tá... chorando geral também. Aliás, eu desafio a me mostrarem uma cena onde as duas apareçam juntas e não chorem. Melhor ainda, eu desafio a me mostrarem uma cena onde a Donatela apareça sozinha e não chore. Coitada da Cláudia Raia. Pior ainda, coitado do Edson Celulari, porque a "Claudinha" deve chegar tão cansada, triste e deprimida por causa do personagem, que não dá tempo nem de...
Enfim...
Qual o sentido de uma novela? Se alguém tiver uma explicação, eu sou todo ouvidos. Podem dizer que é uma representação da vida real, com problemas reais e soluções reais. Há!! Até parece!! A única coisa que tem de real numa novela é... é... é... não tem nada real! Apenas é mostrada uma visão privilegiada sobre as dificuldades da vida, de um autor, na grande maioria das vezes proveniente de uma família rica, nascido em berço de ouro, que não teve tempo de viver problemas reais e tenta, de maneira fútil, superficial, mesquinha e sem nehum tipo de embasamento, abrir uma discussão sobre algum tema "super original" como racismo, relacionamentos de pessoas com diferença muito grande de idade ou de classes sociais diferentes.
Aliás, tá aí mais uma coisa intrigante sobre as novelas. Por que o tema principal é sempre um relacionamento? Então quer dizer que a vida se resume a romances e contos de fadas? A falta de originalidade dos autores é uma coisa surpreendente. É sempre assim: tem uma mulher. Essa mulher é apaixonada por um cara. Esse cara é apaixonado por essa mulher. Mas tem outra mulher, que chamaremos de mulher2, que é apaixonada pelo mesmo cara, mas o cara não a ama. Então a mulher2 começa a tramar altos planos para destruir a mulher e o cara. O cara acaba ficando com a mulher2 por dor de cotovelo. Aí tem o cara2, que é o outro apaixonado pela mulher. Ele se aproveita da situação e fica com a mulher. Mas a novela muda completamente e a mulher e o cara voltam a ficar juntos. Mas a mulher2 e o cara2 se unem para destruir a mulher e o cara. Conseguem. Curtem o namoro com os amados. Mas a mulher e o cara descobrem toda a trama da mulher2 e do cara2 e terminam juntos e felizes para sempre. Que lindo! Já posso escrever uma novela! Mas desde quando isso é vida real? Na vida real, muitas "Marias" e muitos "Joãos", protaginistas de suas próprias vidas, param em cadeias, hospitais e cemitérios injustamente, enquanto muitos afortunados, com nomes importantes, não respondem pelos crimes que cometem. É quase sempre assim, um final feliz para os injustos e trágico para os batalhadores.
Mas é provável que muitos não percebam isso, porque estão tão alienados e concentrados em torcer para um personagem de uma ficção, que esquecem de pensar. Agem como robôs, manipulados, criados e "consertados" pela mídia. Acham que o que é passado pela tela da TV é regra quando as necessidades reais e as pessoas que realmente precisam de torcida e ajuda estão bem perto.
Viu aquela novela? Então vê se aprende a lição e não veja a outra, porque a história é sempre a mesma e a tentativa de alienação da sociedade e manipulação de opiniões nunca acaba.