sexta-feira, 14 de junho de 2013

SILÊNCIO IMPOSTO

Não sou romântico. Não penso em grandes revoluções que possam mudar o destino do mundo. Sei que este está fadado a um destino não muito agradável, e um dia terá seu fim. Entretanto, sei que muitas de suas mazelas são de responsabilidade daqueles que o habitam e poderiam ser revertidas se houvesse interesse. O que me incomoda não é a estagnação, mesmo porque tenho visto movimentos pelo globo. Busca-se a ordem, a paz. Busca-se a fuga do caos. Muitos já não suportam mais a forma como são conduzidos os assuntos de interesse global. Entendo que não há ordem nem paz sem que se estabeleça primeiramente o caos, e em muitos momentos de nossa história percebemos que quem tem a solução instala o problema, e disso tira vantagem. Mas ainda assim, quem pode se posicionar, luta.

O Brasil, porém, é um caso à parte na história do mundo. Fomos fundados há pouco mais de 500 anos sobre bases corruptas, exploradoras e estúpidas, e estuprados sem qualquer pudor ou ordem. Mandatários irresponsáveis e aproveitadores tiveram a batuta em suas mãos e nada fizeram a não ser sugar o que de bom havia, pois interesses individuais sempre prevaleceram sobre o bem da nação, para que o poder se concentrasse cada vez mais em quem mandava. Fomos subitamente silenciados e instaurou-se em nossa cultura a passividade e aceitação através da "burrice" imposta.  Inocência pensarmos o contrário. Tiradentes que o diga, e princesa Isabel até hoje não sabe que carta foi aquele que ela assinou. Cezar ficaria com inveja do pão e circo da terra do pau-brasil. Nem em Roma foi tão eficaz.

Devido a tantos anos de repressão e de uma ditadura eterna - subjetiva ou declarada, exposta ou não no nome da política de governo - fomos levados a um estado de marasmo e acomodação. Não sabemos pelo que nem como nos posicionarmos. Não sabemos nem em quem votamos, nem o que fazem para honrar a nossa representação. Tiririca é deputado federal e até hoje ainda não descobriu qual é sua função - não se preocupe, Tiririca, a maioria não sabe. Somos extorquidos por impostos estratosféricos e corrupção impunível. Nosso dinheiro é despejado com abundância, pedantismo, soberba, orgulho e sem medida na organização de um evento e na construção de grandes arenas - mais de 4 bilhões de reais -, mas para a administração de um hospital universitário está em falta.

Entretanto, tenho observado um ensaio de movimentação, de revolução, de exteriorização de uma voz latente em nossas mentes dizendo: "Não aguento mais! Do jeito que está não pode ficar! Alguma coisa tem de ser feita!". Tenho observado o despertar de uma juventude que não se conforma, dentre outras coisas, com o preço absurdo de uma passagem para viajar em condições precárias, desumanas. Uma juventude que não entende o porquê da privatização dos hospitais se há tanto dinheiro nos cofres públicos. Uma juventude que se preocupa também com a PEC 37, senhor Arnaldo Jabor. Uma juventude majoritariamente de classe média sim, como o senhor mesmo disse, mas que carrega o país nas costas através de seu trabalho pesado, para que grandes magnatas usufruam os bens e as regalias desse país, enquanto nós nos esforçamos e encaramos de frente as mazelas desse país. Uma juventude que não mendiga 20 centavos, mas que não suporta mais o estupro de um governo que não premia nem retribui o trabalho e a dedicação, e de empresas que não pensam em nada além do lucro para alimentarem suas próprias redes de corrupção.

Portanto, vejo com esperança o despertar de algo que pode, sem romantismo, mudar alguma coisa enquanto o mundo existe, mesmo que a mídia tente abafar enquanto pode, mesmo que a Globo continue sendo testa de ferro de um governo "prostituto", medíocre, incompetente, sem identidade, sem ideologia e sem caráter. Mesmo que a "teletela" persista em tentar nos dizer o que devemos fazer, vejo que um novo Brasil pode começar a se erguer, e através disso tenho esperanças de dar aos meus descendentes algo melhor do que o que vivo. Algo melhor do que Renan Calheiros na presidência do Senado, Paulo Maluf e José Genuíno na Comissão de CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA. Vejo um ponto de partida. Aonde nos levará só o tempo poderá dizer.  

quarta-feira, 5 de junho de 2013

UM SOL NA MINHA VIDA

"O raiar do sol é o recomeço". Esse é um trecho de uma música da banda Crombie, de que gosto muito. Há muito que não escuto algo que eu acredite tanto. Nada é tão certo quanto o raiar do sol, assim como, paradoxalmente, nada é tão incerto quanto um recomeço. Porém, precisamos desses dois elementos nas nossas vidas. Precisamos do sol pois é um aliado, um delimitador, um marcador, um apontador. Precisamos do recomeço, pois também é um delimitador, é o ponto onde as coisas se divergem, onde os sentidos são revistos e, possivelmente, invertidos, onde descobrimos o inexplorado, e nos descobrimos no processo. Precisamos de quantos recomeços se façam necessários, pois recomeçar é reavaliar, analisar e mudar.

Mudanças, entretanto, são um tanto renegadas. Queremos o nosso espaço, o nosso nicho pré-estabelecido, o conveniente, o garantido - mesmo que não seja o melhor -, o previsto, o previsível. Mas quando as mudanças são inevitáveis, nos apegamos ao que nos mantém de pé, e mesmo que não saibamos aonde ir, sabemos que um dia chegaremos lá. Olhamos para o nosso sol. Vislumbramos o horizonte e somos convencidos do poder revigorante de um novo dia, do sol clareador e aquecedor. Tomamos fôlego, respiramos fundo e nos empoderamos de uma coragem antes desconhecida, pois não sabíamos que existia algo além do nosso medo.

Todos os dias recomeços se apresentam, e temos a oportunidade de aceitá-los ou não. Temos uma escolha. Recomeços são desafiadores. Podemos permitir que o sol nasça ou que o dia continue escuro. Há três anos e meio, dentre tantos que se apresentaram em minha vida, vivi o recomeço mais importante. Há três anos e meio pude vislumbrar o horizonte, e a vista é maravilhosa. Nada foi tão incerto quanto aquele recomeço, mas nada me faz tão feliz, tão aquecido, tão completo quanto aquele sol que ali surgia. Hoje recomeço quantas vezes forem necessárias, e tenho certeza que outros sóis surgirão em outros aspectos da minha vida, mas este sol estará ali, nunca se apagará, será sempre meu aliado, meu conforto, me aquecerá, não sairá do lugar, pois está onde nasceu para estar. Este é o seu lugar, e eu estarei sempre aqui para recebê-lo.

Tive momentos de angústia e de tristeza, mas este sol me trouxe um recomeço que espero durar a eternidade e me fez descobrir que talvez o horizonte nem seja o fim. Descobri que há sempre mais esperando por mim, que um fim nada mais é do que um ponto de partida, e que sem o fim o sol não pode existir, sem a escuridão a luz não faz diferença, e que não importa o que aconteça, o sol vai sempre nascer, basta o abraçarmos. Descobri que nada importa tanto quanto ter um dia claro. Eu amo o meu sol!








Texto em homenagem à Marcela Raposo, um sol na minha vida, o meu grande amor, por quem me apaixono todos os dias. Há três anos e meio, completados hoje, ela me faz o homem mais feliz! Eu te amo!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ÍNDICES DE DESCULPAS

Naquele momento não pensei em mais nada, e assim inicia-se esta história, pelo motivo incentivador de uma reflexão sobre o que me espera. As palavras já estavam ditas e nada poderia revertê-las. Nessa estrada não havia retorno. Quando elas estão guardadas são nossas escravas e podemos fazer delas o que quisermos, mas, quando são lançadas ao ar, nós somos rebaixados à escravidão e elas podem ser senhoras muito cruéis quando, ao serem elaboradas, burlam a etapa na qual o cérebro trabalha.   

Os sentimentos se embaralhavam e o meu peito diminuiu dois terços de seu tamanho, pois senti meu coração apertado, sufocado. Não porque estava com remorso, mas porque eu soube, naquele instante, que uma ferida havia sido aberta por mim, devido à minha irredutibilidade, à minha dificuldade em ouvir, à minha dificuldade em aceitar, à minha dificuldade em entender e à minha mania de achar que tudo pode se resolver em berros, que dessa forma serei ouvido. Aquilo que havia me transtornado já nem importava mais, pois a necessidade de estar certo levou-me a desvirtuar o assunto e a atribuir culpa a gestos completamente irrelevantes. Por isso comecei a falar, e falei até não dizer mais nada. Mesmo assim continuei falando. Mas já estava dito e eu era completamente incapaz de voltar atrás, de dizer que o que saiu da minha boca estava errado. Ou simplesmente não dizer mais nada e apenas desculpar-me. Não fui capaz.

Nada mais me deteria. Mesmo com aquela vontade louca de, simplesmente, abraçá-la fortemente, como se nada ao redor existisse e ela pudesse sentir que nos meus braços ela estaria segura, dizê-la o quanto eu a amo e beijá-la intensamente para mostrar o que realmente estava dentro de mim, nada foi feito. Eu me virei, simplesmente me virei e caminhei. Minutos se tornaram horas até o meu destino, pois eu sabia que, quando eu ouvisse sua voz novamente, algo estaria diferente, fora de seu eixo natural, como a Terra depois de um terremoto de escala máxima, provocado por palavras. A partir de então, um sentimento começou a ganhar a briga dentro de mim: a tristeza. Cruel tristeza! Lembrei-me de seu olhar. Aquele olhar desesperador. Por aquela janela pude ver que a alma dela estava despedaçada, e a rara falta de brilho neles trazia à superfície o estado em que eu a havia deixado. Lembrança aterrorizante.

Tentei desfazer, tentei justificar-me mais tarde, tentei tudo o que eu pude, mas nada me restava senão mostrar o resquício de humanidade que ainda estava em mim e fazer associações de símbolos fonéticos para criar signos que me levassem à remissão. Mas eu sei que palavras, mesmo que profundas e eloquentes, não resolveriam o vazio que senti por ter proporcionado a ela tristeza e ter feito as lágrimas escorrerem de seus olhos, pois seu coração sangrava. Sei, porém que é muito maior o que me espera, e mesmo que promessas pareçam suficientes, ainda serão pouco frente à vontade que tenho de guardá-la para sempre em mim. Minhas atitudes definem quem eu sou, e por ela quererei sempre ser o melhor que posso. Por isso minhas desculpas nunca serão completas. Mas já é um início.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

PEDINTES. UM RELATO FICTÍCIO, MAS REAL

― Olá, meu nome é José. Tenho sido perseguido por uma visão. Estou andando pela orla de Copacabana. Inesperadamente, sou abordado por um homem bem vestido, de terno e sapatos importados, cabelos bem penteados, com uma mala de couro legítimo em uma das mãos e uma caneca em outra, pedindo-me dinheiro. Logo à frente, havia um maltrapilho, mal cheiroso, que me contava sua história, dizendo que chegara àquela situação por negligência e abandono de sua família, que o rejeitou após ter perdido seu emprego e todos que passavam em volta o rejeitavam enquanto davam atenção à eloquência e à imagem do outro. Minha visão se encerra por aí. Cansei de buscar especialistas para que minha visão fosse interpretada.

― Sua visão, seu José é simples e sugestiva, pois o mundo é feito de pedintes. Desde a mais longínqua história, pede-se. Esse ato, porém, não está restrito a quem necessita. Se desse modo fosse, seria justificável, assim como a imagem de quem necessita não está sempre diretamente relacionada a um semáforo ou à parte inferior de uma ponte ou viaduto. O perfil de pedintes no Brasil é tão variado que, em determinado momento já nem se sabe mais o que se pede, mas é peculiar que todas as esferas peçam.
Entretanto, historicamente, o brasileiro foi levado a se satisfazer com qualquer agrado, enquanto uma parcela goza de regalias e privilégios inerentes ao poder que exercem. Estes, quanto mais têm, mais querem. Assim caminhou a humanidade brasileira ao longo dos anos. Com passos de formiga. 
Nos últimos anos, contudo, o brasileiro está aprendendo a driblar por um pouco a manipulação histórica e um avivamento de movimentos está ocorrendo. Vive-se uma onda de greves e movimentos reivindicatórios, abordados pela grande mídia (leia-se Rede Globo, canal 666) de forma distorcida, como se fosse errado ou vexatório ― coisa de quem não tem o que fazer ― lutar por seus direitos.
Nesse ínterim, o piso salarial de deputados e senadores continua subindo ― alguns dinossauros da política alcançam uma folha salarial de quase 70 mil reais ― e megaempresas continuam a receber grandes isenções e estímulos do governo para se estabelecerem cada vez mais e manterem a exploração das nossas terras e do nosso povo. Enquanto isso, professores e servidores públicos recebem as piores críticas simplesmente por quererem condições mais justas e dignas de condições de trabalho, palavra esta com a qual muitos políticos não são familiarizados. Há algum tempo, foram gastos 30 milhões de reais para a realização do evento para sorteio dos grupos da Copa do Mundo enquanto, já sob denúncias de superfaturamento, foram gastos 23 milhões de reais para a construção do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) no Rio de Janeiro, o qual foi criado para ser referência nacional. Abrimos mão de grande parcela do nosso salário e devemos considerar um favor do governo uma rua asfaltada ou uma iluminação pública decente ou um sistema de saúde capaz de atender a todos.
Há outras diversas denúncias e para todas elas a pergunta é a mesma: Onde estão e para quem são as prioridades? Há um grande problema de vista em muitos brasileiros, que estão, de certa forma, pedindo esmola. Mas de quem é a culpa?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

PROPÓSITO

Foi-se o tempo
De saber que o que sobra
Neste breve tempo
É nada, é sobra

Até que se descubra
O limiar de seus sentidos
E enfim se descubra
O escondido em um sentido.

Não é tão certo nem tão errado
Nem vivo nem morto
Nem perdido nem achado
O brilho de um rosto

Mas até que este apareça
A busca sempre deve existir
E mesmo em dias de incerteza
O segredo é persistir.

MEDOS E RENASCIMENTOS - UM BREVE RELATO

A vida é feita de escolhas. Dúvidas? Sim, muitas. Quando em um determinado momento de nossas vidas totalmente comuns escolhemos um caminho, devemos ter a convicção de que algo é renegado. Assim minha vida foi conduzida no último ano. O cansaço, as novas atribuições, a falta de tempo me levaram a renegar uma paixão, um prazer que é incrivelmente desvalorizado por outros. O desânimo vem e a certeza de que somos capazes de fazer algo começa a se esvair. Aonde isso pode nos levar? Perguntamo-nos em nosso interior e aquilo que deveria ser relaxante torna-se fatigante. Então, certo dia, em uma espécie de epifania, lembramo-nos daquela sensação de liberdade a que estávamos acostumados e ressuscita em nossas mentes o estado de paz que nos invade quando fazemos o que gostamos independentemente da opinião - ou simplesmente da atenção - alheia. Assim pretendo me conduzir, e como a fênix, estou apto a reviver, com o aprendizado e a certeza de que nunca mais serei o mesmo. Pois isso me leva a viver melhor.

O que você tem feito para viver melhor e do que você tem abrido mão? 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

VIDA. OU O QUE QUER QUE SEJA

Vagarosamente encaro
Um dia a mais
Sinceramente espero
Um dia mais
Quente... ou frio

Em meus medos aquecido
Friamente busco um sentido
Porém A-Luci-Nada-Mente
À mente que despreparada sente
Desesperadamente
Hipotermias de morte
E transpirações de vida... e morte
Ao dizer que nem tudo é questão de sorte

Independentemente 
Do que realmente seja
Tudo depende do modo que a vemos
Peso pêsames e sofrimentos
Apesares superações e alegrias

Antes que a inesperada
Indesejada e amaldiçoada chegue
Eu me permito permitir
Chorar pular cantar rir brincar amar
Apesar de tudo

Supero meu mundo todo
De mim ou do que me cerca
Das tristezas que sendo fartas
Esvaziam-se por gestos raros
E provas de amor inatas

E não desisto por nada
Pois certeza versus esperança
Em corpo meramente mortal
Só saberemos que acabou
Quando chegar o ponto final.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

SONHANDO ACORDADO

O que acontece quando Id, Ego e Superego se juntam e começam a brigar entre si? Um sonho! Os seus instintos mais primitivos, suas primeiras lembranças se revelam nele. A realidade é desconstruída, nada se parece com nada enquanto tudo se mistura com tudo, nossa imaginação em seu estado mais gracioso ou sombrio aflora. É durante essa eternidade repetitiva de quase dez minutos que suas intenções, seus desejos e medos mais profundos, secretos e inóspitos são visitados. O sonho é a relembrança de suas vontades.

Me ocorreu outro dia, pensando nisso, uma questão: por que quando queremos ou aspiramos algo chamamos de sonho? Passei o dia pensando nisso, em como me calar e voltar a pensar em algo mais palpável, material, mas não pude. A partir daquele momento passei a criar possíveis respostas, pensar em alternativas, a imaginar. Depois de algumas horas, percebi uma coisa. O tempo todo eu estava imaginando, pensando, projetando, construindo. Em nenhum momento paramos de fazer isso, mas durante o sono fazemos sem organização, sem o domínio absoluto do nosso Superego para nos coordenar, nos condenar. Quando dormimos, damos espaço para atuação dos outros seres da nossa mente, antes submersos.

Após ter concluído isso, pensei em outra coisa. Pensei que, talvez, para sermos um pouco mais felizes, deveríamos, mesmo acordados, dar terreno para nossos instintos e imaginação para um mundo melhor. Sermos nós mesmos com nossas convicções sobre... bem... tudo! Por vezes, chamarão o que nós acreditamos de utopia, e, por interesses pessoais, tentarão matar o que defendemos. Dirão que é ruim, que é maléfico, que não dá lucro. Tentarão ser o nosso Superego. A pressão vai sufocar até fazer ceder e mais uma vez o sonho morrerá. Eu sou o Id e o Ego. Eu levanto a bandeira da construção, a bandeira da igualdade, eu sou utópico em meus desejos porque eu acredito em pessoas, cada uma com seus sonhos, com sua história, mas que juntas, podem ser um só para o bem de todos.

Esse é o meu sonho, e por essa utopia lutarei.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A CERTEZA DO INEXATO

"Se alguém souber dizer o que é o amor, esse alguém não sabe o que é amor". Pensando nessa frase, fui dormir. Dormi questionando como podemos ter tanta convicção de um sentimento que não temos a capacidade de precisar - pois desde a formação da Terra se fala sobre ele, discute-se sobre ele, formam-se definições dele, várias definições, escreve-se sobre ele, canta-se dele - ao mesmo tempo em que temos a certeza de que precisamos dele.

Posso, a partir daqui, ser clichê e piegas como as músicas de Roberto Carlos, ou tentar simplesmente refletir sobre essa sensação tão maravilhosa e arrebatadora. Amar alguém, não só no âmbito sexual, mas demonstrar carinho, respeito, compaixão para com o outro, é o que confere essa maravilha e esse arrebatamento.

Amar é o sentimento mais profundo que conhecemos, por isso após milênios ainda não nos aprofundamos o bastante. É algo tão incerto, metamórfico, que dizer palavras adolescentes numa música feita para venda e audiência em massa não é o suficiente. Amar é muito mais, e sempre mais. É saber que sempre existirá uma razão e sentido para a vida, mesmo quando o mundo estiver ao contrário. É ter certeza de que encontrará naqueles braços o calor necessário para o frio siberiano. É saber que mesmo quando faltam palavras, um gesto pode mudar o destino de um dia, uma semana, um mês, um ano. De uma vida. É ter a certeza do inexato, indefinido e inconcluso apenas porque você se sente seguro. Tudo por causa dequeles braços, daquele abraço. É uma tempestade num dia ensolarado enquanto calmaria num mar agitado.

Passaremos os próximos anos, até o fim do mundo, tentando defini-lo, pois não temos respostas científicas para ele, só conhecemos os seus efeitos, e, enquanto sentimento for, como sentimento o cultivaremos e continuaremos em busca da frase perfeita, do poema ideal, da música que faz chorar, mas ainda choraremos daqui a centenas de milhões de anos, porque, sendo inexato, de diferentes maneiras se apresenta e de diversos modos o conhecemos. Por isso ele é tão rico e, graças a Deus, por isso nunca saberemos o que o amor realmente é. O que importa é o que ele representa para cada um.

"Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência, não pensar..."
(O Meu Olhar - Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa)

O que o amor representa para você?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

NO SINAL

Lá estava o meu carro. Parado. Os limões subiam e desciam, giravam, rodopiavam, alguns com certa habilidade, precisão, e outros com um tanto de dificuldade, como que em aprendizado, como se não soubessem aonde ir. Não sabiam mesmo. Já não sabem também o que fazer para atraírem atenção. Dia e noite passam e os sinais vermelhos não se esverdeiam. A transparência dos vidros fechados reflete os corações opacos daqueles que vêm e vão, por vezes mais perdidos que os próprios limões. Estes estão sozinhos e, apesar de seus esforços, continuam se deparando com faróis, lanternas, luz interna e painéis que não param de piscar a luz vermelha. Mesmo assim continuam no sinal. Inconveniência, abuso, costume ou último recurso? De quem será a culpa? Até os vidros poderosos estão fechados. Na verdade, estão blindados.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

INFINITO

Caiam, estrelas, se ela não me achar.
Mostrem-na o caminho se ela não se achar.
Iluminem a via por onde ela andar.
Levem-nos ao céu quando ela aqui chegar.

E do céu não iremos sair,
Na lua iremos dormir,
O sol desejará nos ouvir
Quando o universo cantar
Nosso lindo desejo de amar.

Mas se um dia, estrelas, ela for
Para longe peço, por favor,
Para que eu volte ao meu lugar,
Pois o espaço se fará vulgar
Se ela não estiver a me esperar

Verei o céu descolorir,
E a lua não mais a sorrir,
O brilho do sol a sumir
Se o universo sangrar
E o amor que houver acabar.
Pois ela é o meu céu,
Meu sol,
Meu luar.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

TRABALHO, PRESSÃO, CANSAÇO

Sento-me à frente do computador. Vontade de escrever não me falta, mas nada me surge na mente. Falar sobre o quê? Política? Clichê demais. Esporte? Banal demais. Comportamento? Incerto demais. Nada me parece bom o suficiente. Sinto-me preso a mim mesmo, preso às minhas idéias - ou à falta delas.

Minhas mãos, então, se levantam, vão ao teclado e voltam sem resposta, desoladas. Levantam-se mais uma vez, vão à cabeça, raspam suas unhas em meu couro cabeludo, voltam um pouco mais aliviadas. Ainda não surgiu nada. Voltam a se erguerem, juntas esfregam minha face, voltam ao teclado, continuam desesperadas, ansiosas por uma resposta, um sinal cerebral. Nada chega a elas. Elas se cansam, apóiam-se sobre as coxas, cansadas, exauridas. Refletem a pressão e a cobrança por produtividade, mesmo quando nada tem a se oferecer, devido à sobrecarga do trabalho imposto a elas todo dia e o dia todo, à obrigatoriedade de se pegarem as coisas. O ideal seria cortá-las, substituí-las, já que estão inúteis quando mais se precisa delas. O cérebro, mesmo sendo o responsável, não admite culpa. Ele é poderoso demais para ser acusado. Bem, talvez ela precise de cuidados, creme hidratante, talvez uma massagem... Não! Não é necessário! Elas ficarão ali, estáticas, apenas obedecendo ordens porque não têm aonde ir.

Minhas mãos têm vida própria. Vivem como milhares de brasileiros. Sistema inútil, cruel e fútil!

DE VOLTA À ATIVA (DESABAFO)

Passei um longo tempo de inércia mental, sem ânimo, tempo ou criatividade o suficiente para novos textos e colunas. Porém, estou de volta, renovado, mesmo sabendo que a freqüência deste blog não é muito grande. Entretanto, cheguei à conclusão de que os textos que eu escrevo sempre foram para mim mesmo. Neles eu expresso minhas emoções, frustrações, etc. Não como um diário, mas como desabafos e compartilhamentos através das artes. Cheguei à conclusão de que não adianta esperar infinitos seguidores ou milhares de visitantes num único dia, porque o que eu produzo é para o meu próprio deleite e aqueles que sentirem o mesmo prazer que eu sinto ao apreciar um bom texto são muito bem-vindos, não só com suas visitas, mas com suas opiniões, críticas, elogios ou sugestões.

Eu amo escrever e espero que amem o que eu escrevo, contudo havia me esquecido de que a verdadeira recompensa do que uma pessoa faz está na satisfação própria.

Agora, recobrados os meus sentidos, não prometo atualizações constantes, todavia me comprometo a postagens apaixonadas, intensas e inspiradas. Espero contar com a contribuição de quem me visita e que apreciem minha nova proposta.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

QUINTA-FEIRA MUSICAL #8



Lenine. Grande compositor, ótima voz. A harmonia dessa música é excelente e o jogo de palavras é lindo. O povo brasileiro se identifica com essa música porque se vê nela. Muito bom!

Comentem!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O VERDADEIRO ESPÍRITO NATALINO

O mundo, talvez em alusão metafórica aos seus constantes movimentos, permite-se aflorar a sua dinamicidade. Ele está em perpétua mudança, como se tivesse vida própria, assim como as relações sociais observadas no dia-a-dia. Pessoas debatem, discutem, dialogam, brigam, tentam durante todo o tempo impor suas opiniões e forçar em outrem a aceitação de suas ideologias. Porém, todo esse processo sofre uma pausa quando o tão aguardado Natal se aproxima. Ah! o Natal! Momento sublime de carinho, afeição e amor de um ser humano para com o outro. Momento de reflexão, de se ajudar criancinhas que passam fome e moram na rua. Momento de se celebrar um marco histórico: o nascimento de Jesus Cristo. Em tese.  

Essa data tão especial chega acompanhada de uma característica muito marcante da humanidade: a falta de responsabilidade. O homem não se responsabiliza pela fome no mundo, ou pelo esgotamento de recursos naturais, ou pela violência desenfreada, ou pela desigualdade social. Nós temos a terrível e insalubre mania de não assumirmos culpa por nossos atos, pois agimos sem critérios ou escrúpulos quando o nosso interesse está em jogo e o nosso ego está à prova.

Foi exatamente isso que eu vi nesse Natal, pessoas comemorando de um jeito muito estranho o nascimento daquele que dividiria a história. Bêbados passeando pelas ruas, dirigindo. Homens e mulheres discutindo e se xingando mutuamente. Nem mesmo o tão comentado espírito natalino é capaz de superar o egoísmo humano. Aliás, supera até o momento em que alguma coisa foge do script, produzido de acordo com os interesses de cada um. Onde está o amor ensinado pelo aniversariante? Resume-se a um breve momento de reflexão - que dificilmente se concretiza em mudanças de posturas e atitudes - e troca de presentes que só servem para movimentar a máquina de poder e dinheiro chamada capitalismo. Não creio que seja essa a melhor maneira de se comemorar o aniversário do ser mais bondoso, amoroso e altruísta que já existiu.

Jesus sequer nasceu nesse período do ano, conforme apontam alguns relatos históricos. Segundo esses relatos, Ele teria nascido no período mais quente do ano em Belém, que seria de Julho a Setembro no nosso calendário. A atual data de comemoração (vinte e cinco de Dezembro) teria sido imposta pela Igreja com o objetivo de adaptação a uma festividade pagã existente nesse período do ano, visando uma lucratividade maior com a junção de duas culturas numa mesma celebração: o nascimento de Jesus com a existência do Papai Noel, a troca de presentes, etc.. Assim, praticantes de várias religiões poderiam gerar lucros ao mesmo tempo para o Estado, o que significava, à época, mais riqueza para a Igreja.

Infelizmente, a história desse planeta é feita, em boa parte, pela defesa de interesses em benefício dos poderosos. Ao invés de distribuírem-se alimentos num dia do ano, faça-se uma reforma estrutural da sociedade. Assim, os que são vítimas da fome no mundo - cerca de um bilhão de habitantes - deixariam de sofrer. Dados da ONU comprovam que uma fusão das economias dos países ricos e emergentes sanaria esse problema. Só o dinheiro gasto na guerra do Iraque já seria suficiente.

Enfim, o que eu vejo no Natal é uma oportunidade de redenção. Independentemente de datas ou fatos históricos, torço pela perpetuação de um sentimento mais humanitário, que dure o ano todo. Torço pela conscientização do seu verdadeiro sentido: o surgimento Daquele que veio para mudar o rumo do planeta e da vida de quem assim o quiser. Torço para que se siga o exemplo Dele de amor, sem a relevância de religiões, crenças ou opiniões. Torço por uma humanidade mais justa, menos desigual. Torço pela conservação da vida.

E você?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

PERDAS E REPAROS

Resta-me a lembrança
Do que perdi, do que deixei.
Consola-me a esperança
De ver acontecer o que sonhei.

O medo de cair
Me fez por muito tempo
Andar sem sentir.
O medo de tentar
Me fez caminhar
Sem saber o que é amar.

Lembranças vazias
Preenchem o espaço que há 
Dentro de mim.
Suas mãos tão frias
Sinto virem me tocar
Na noite sem fim.

Hoje o que eu quero,
Que a felicidade traga o que esqueci.
Tempos de esmeros
Que espero reviver e, enfim, sorrir.

TEXTO RETIRADO DO DIÁRIO DA MINHA MENTE

Vinte e dois de Dezembro. Faz tempo que não produzo nada. O vestibular está sugando todo o meu tempo, a minha energia e o meu vigor - além de me arrancar um tanto de cabelo e me fazer perder outro tanto de unha. Mudanças vieram e agitaram o "pacato" mundo das provas de ingresso em universidades públicas. Nós, vestibulandos, tivemos aproximadamente de 5 a 7 meses para nos adaptarmos a uma fórmula totalmente nova de aplicação de provas. E, como se não bastasse, a desorganização mais uma vez imperou no governo brasileiro. Prova anulada, outras, por conta disso, adiadas, gabarito com erros, incerteza na divulgação de resultados. Milhões de estudantes sendo prejudicados por conta de medidas impensadas, descabidas e de interesse político devido às eleições que ocorrerão no ano vindouro. O cenário descrito é o vigente há muito tempo no Brasil: interesse, manipulação, ludibriação.

Mas não quero falar sobre política, quero falar sobre mim, sobre o que estou sentindo nesse momento tão decisório da minha vida. É a terceira vez que presto vestibular. Quero medicina. O fardo da dúvida da aprovação e da certeza de que não terei outra chance está me matando. Meus pais, que sempre se esforçaram em pagar bons colégios para mim, foram decepcionados duas vezes, e eu não gostaria de decepcioná-los novamente. Cerca-me durante todo o tempo a dor do arrependimento. Arrependo-me de não ter me esforçado mais antes, de deixar tudo para depois, de ser tão irresponsável algumas vezes, de não ter crescido antes.

Porém, mesmo sendo clichê, sei que tudo na vida tem um tempo certo de acontecer. O que me deixa preocupado é saber que, às vezes, deixamos o tempo certo passar devido à nossa falta de interesse, vontade e comprometimento. Mas não vai acontecer de novo. Um ano bom me espera, eu sei disso.

Enquanto espero faço o bom acontecer, busco viver em paz e deixar que o tempo me traga os sonhos. Mas é impossível não se preocupar.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

QUINTA-FEIRA MUSICAL #7

A música pela música, pela arte e para você. Deleite-se!







Essa quinta-feira será especial. Overdose musical.


Navegando pelo youtube a procurar mais uma beleza em forma de acordes para postar aqui, cheguei a um vídeo do Ed Motta, de quem sofro grande influência musical. Comecei, então a navegar pelos vídeos dele. Se tem alguém que canta muito e tem uma criatividade imensa no cenário musical brasileiro, esse alguém se chama Ed Motta. Uma voz incrível, técnica impressionante e arranjos magníficos. Por isso, não consegui decidir qual vídeo colocar. Decidi colocar os três.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

VERBETES

Verbalizar
Pensar, Falar, Expor, Compor
Amar
Correr, Voar, Imaginar, Criar
Sentir
Entregar, Experimentar, Tocar, Guardar
Sofrer
Pedir, Marcar, Lutar, Chorar
Viver
Verbalizar, Amar, Sentir, Sofrer

QUINTA-FEIRA MUSICAL #6

A música pela música, pela arte e para você. Deleite-se!



Quando eu criei este blog, eu prometi a mim mesmo que não confundiria as coisas, que não misturaria a minha opção religiosa (o evangelho) com o que escrevo sobre política,etc. Porém, agora que eu posto músicas e me expandi nas artes abordadas nesse blog, eu não posso ignorar as minhas influências, mesmo porque música é música independentemente de religião ou crença. Esse arranjo feito por essa dupla "Baixo e Voz" para um clássico da música cristã é uma obra prima. Eu passaria o dia todo ouvindo essa música.

Não deixem de dar suas opiniões.